A inclusão e a acessibilidade voltam a assumir um papel central na 55.ª edição do Circuito Internacional de Vila Real (CIVR), com a organização a reforçar um conjunto de medidas destinadas a assegurar que pessoas com deficiência e cidadãos com mobilidade condicionada possam viver a experiência de um dos maiores eventos do automobilismo nacional em igualdade de circunstâncias.

A aposta, desenvolvida numa articulação entre o Município de Vila Real, a Associação Promotora do Circuito Internacional de Vila Real (APCIVR) e o Provedor do Cidadão com Deficiência ou Incapacidade do Município de Vila Real, pretende consolidar um caminho iniciado em edições anteriores e aprofundar a criação de condições que permitam uma participação mais abrangente e inclusiva.

Entre as respostas previstas para este ano destaca-se a instalação de uma bancada acessível junto ao final da reta da meta, localizada nas instalações da Associação de Paralisia Cerebral de Vila Real. O espaço será destinado a pessoas com deficiência, particularmente cidadãos com mobilidade condicionada, permitindo igualmente o acesso gratuito de um acompanhante.

A organização assegura ainda acessibilidade à Zona VIP, instalações sanitárias adaptadas e lugares de estacionamento reservados para titulares do respetivo dístico de mobilidade condicionada. Os utilizadores deste serviço deverão dirigir-se à rotunda da Escultura Barro de Bisalhães, na Avenida Europa, onde receberão orientações para estacionamento próximo do circuito e acesso facilitado às zonas reservadas.

Sempre que as condições de segurança o permitam, será ainda mantida a possibilidade de visitas às boxes das equipas, proporcionando uma experiência mais próxima dos bastidores e do ambiente vivido no circuito.

Para Márcio Martins, Provedor do Cidadão com Deficiência ou Incapacidade do Município de Vila Real, a construção de uma verdadeira política inclusiva exige mais do que a simples criação de estruturas físicas.

“A inclusão não se esgota na criação de infraestruturas ou serviços; faz-se, sobretudo, através da escuta ativa das pessoas e das entidades que diariamente trabalham com cidadãos com deficiência”, sublinhou.

O responsável destaca que, no âmbito da preparação desta edição, foi desenvolvido um trabalho de proximidade com diversas associações e instituições ligadas ao acompanhamento de pessoas com diferentes tipos de deficiência, nomeadamente motora e visual, procurando não apenas divulgar as condições existentes, mas também recolher sugestões e experiências.

“É esse diálogo permanente que permite identificar necessidades, recolher experiências e construir soluções cada vez mais adequadas”, afirmou, considerando que este modelo colaborativo tem permitido evoluir de forma consistente.

Márcio Martins considera ainda que a inclusão deve traduzir-se numa participação plena e digna das pessoas nos grandes momentos da comunidade.

“Considero que esta colaboração constitui um passo importante para que o CIVR continue a afirmar-se como um evento para todos, onde cada pessoa pode participar com dignidade, autonomia e em igualdade de oportunidades”, acrescentou.

Também o presidente da Câmara Municipal de Vila Real, Alexandre Favaios, reforçou a importância de garantir que um evento com a dimensão e impacto do Circuito Internacional possa ser vivido sem barreiras.

“O Circuito Internacional de Vila Real é um dos maiores eventos do concelho e deve ser vivido por todos”, afirmou o autarca, acrescentando que o município continuará “a investir em condições que promovam a igualdade de oportunidades, tornando este evento cada vez mais acessível e inclusivo”.

Por sua vez, o presidente da APCIVR, José Silva, destacou o trabalho realizado entre as diferentes entidades envolvidas na organização.

“A organização procura, em cada edição, conciliar as exigências de segurança próprias de uma prova desta dimensão com a melhoria contínua das condições de acessibilidade”, referiu, salientando que o trabalho desenvolvido em conjunto “tem permitido consolidar soluções que tornam o Circuito mais inclusivo”.

Além das medidas físicas implementadas, continuará disponível um canal de apoio e informação dedicado às questões da inclusão, através de telefone e WhatsApp, procurando responder a dúvidas, prestar apoio e facilitar o acesso das pessoas ao evento.

A organização acredita que a construção de um evento verdadeiramente inclusivo depende não apenas das estruturas criadas, mas também da participação ativa dos cidadãos e das entidades que diariamente trabalham nesta área, assumindo o compromisso de continuar a melhorar as respostas disponibilizadas nas futuras edições.

Jornalista: Vitória Botelho

Foto: DR

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