A aprovação, pela Assembleia da República, de quatro Projetos de Resolução favoráveis à reabertura da Linha do Corgo levou o movimento Via Estreita a exigir a suspensão imediata das obras da ciclovia que está a ser construída sobre o antigo canal ferroviário entre Peso da Régua, Santa Marta de Penaguião e Vila Real.
O apelo foi formalizado através de uma carta dirigida aos presidentes das três câmaras municipais, na qual Daniel Conde, autor da Petição pela Reabertura da Linha do Corgo, considera que a continuação da empreitada deixou de ter fundamento político e financeiro depois da votação parlamentar realizada a 17 de julho de 2026. Os quatro projetos foram aprovados sem qualquer voto contra, encontrando-se agora em fase de consolidação numa resolução única da Assembleia da República.
Segundo o responsável pelo movimento, este resultado representa o culminar de um processo iniciado em janeiro de 2024 com o lançamento de uma petição pública que reuniu 1.070 assinaturas. O documento foi entregue na Assembleia da República em fevereiro de 2025, ultrapassando o número mínimo necessário para obrigar à realização de uma audição parlamentar, que decorreu em dezembro do mesmo ano.
Na audição, Daniel Conde afirma ter encontrado um consenso alargado entre as diferentes forças políticas relativamente à necessidade de recuperar toda a Linha do Corgo, desde Peso da Régua até Chaves. Contudo, critica a postura do deputado Rui Santos durante essa sessão, alegando falta de interesse e de participação no debate.
Na carta, o autor recorda igualmente que a reabertura da Linha do Corgo integra o Plano Nacional Ferroviário desde novembro de 2022, defendendo que essa circunstância deveria ter impedido qualquer ocupação permanente do antigo corredor ferroviário.
As críticas dirigem-se em particular ao município de Vila Real, acusado de promover a construção de uma ciclovia sobre parte do antigo traçado ferroviário, entre a zona da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e a freguesia de Mateus. Daniel Conde sustenta que a intervenção implicou a destruição de património ferroviário e a ocupação de áreas consideradas essenciais para uma futura reativação da infraestrutura, acrescentando que o percurso acompanha, em vários troços, uma ciclovia já existente.
O documento manifesta ainda oposição ao prolongamento da ciclovia ao longo de cerca de 40 quilómetros para norte e sul de Vila Real, considerando que a obra poderá dificultar ou encarecer significativamente uma futura recuperação da linha ferroviária.
Para o autor da petição, a aprovação unânime das resoluções parlamentares constitui um sinal político suficientemente claro de que o objetivo da reabertura da Linha do Corgo passou a integrar a agenda nacional. Nessa perspetiva, entende que prosseguir com um investimento estimado em cerca de 1,3 milhões de euros numa infraestrutura instalada sobre o antigo canal ferroviário poderá traduzir-se num desperdício de recursos públicos, caso venha a ser necessário remover a ciclovia para permitir o regresso do caminho de ferro.
Na parte final da comunicação enviada às autarquias, Daniel Conde desafia os executivos municipais de Peso da Régua, Santa Marta de Penaguião e Vila Real a interromperem, com caráter de urgência, as obras em curso, defendendo que essa decisão evitaria novos encargos financeiros e preservaria integralmente o corredor ferroviário para a futura reabertura da Linha do Corgo.
Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

















