II Congresso Internacional de Enfermagem Comunitária arrancou esta sexta-feira na Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa – Alto Tâmega. Durante dois dias, profissionais e especialistas debatem liderança, proximidade, inovação e a necessidade de respostas de saúde cada vez mais ligadas aos territórios e às comunidades.

Chaves é, esta sexta-feira e sábado, palco de uma discussão que ultrapassa as fronteiras da enfermagem e toca num dos grandes desafios dos sistemas de saúde: como garantir respostas mais próximas, integradas, equitativas e capazes de acompanhar as novas necessidades das populações.
O II Congresso Internacional de Enfermagem Comunitária (CIEC26) arrancou esta sexta-feira no auditório da Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa – Alto Tâmega, em Chaves, subordinado ao tema “Liderança, Proximidade e Valor em Enfermagem Comunitária”.
Promovido pela Mesa do Colégio da Especialidade de Enfermagem Comunitária da Ordem dos Enfermeiros, o encontro pretende afirmar o papel estratégico desta área na transformação, sustentabilidade e resiliência dos sistemas de saúde.

UM CONGRESSO QUE SAI DOS GRANDES CENTROS

A realização do congresso em Chaves e em Trás-os-Montes tem, porém, uma importância que vai além do próprio programa científico.
Num país onde grande parte dos congressos de referência continua concentrada nos grandes centros urbanos, trazer para o interior uma iniciativa internacional dedicada a uma área estratégica da saúde representa também uma escolha de descentralização e de valorização territorial.
O conhecimento não tem de acontecer apenas em Lisboa, no Porto ou noutros grandes centros. Também pode nascer, circular e ser partilhado a partir de Chaves.
E há uma particular coerência em fazê-lo precisamente no território do Alto Tâmega.
A enfermagem comunitária assenta na proximidade às pessoas, às famílias e às comunidades. Conhecer as características de cada território, identificar vulnerabilidades, mobilizar recursos locais e construir respostas adequadas às populações são elementos centrais desta especialidade.
Por isso, discutir proximidade num território do interior é também dar conteúdo concreto à própria palavra.
É reconhecer que as necessidades de saúde de uma comunidade transmontana podem ter especificidades próprias e que a construção de respostas não pode ignorar a geografia, a demografia, os recursos disponíveis e as características sociais de cada região.

ENVELHECIMENTO, DOENÇA CRÓNICA E DESIGUALDADES

O congresso decorre num contexto particularmente exigente para os sistemas de saúde.
O envelhecimento demográfico, o crescimento da doença crónica e da multimorbilidade, a persistência das desigualdades em saúde e a transformação digital estão a alterar profundamente as necessidades das populações.
Perante este cenário, torna-se necessário encontrar respostas mais integradas, inovadoras e sustentadas na evidência científica.
É precisamente aqui que a enfermagem comunitária assume uma dimensão estratégica: identificar necessidades antes de os problemas se agravarem, antecipar riscos, aproximar cuidados das populações e contribuir para ganhos efetivos em saúde.

MAIS DO QUE CUIDAR: LIDERAR, INOVAR E CRIAR VALOR

Os três conceitos que dão nome ao congresso — Liderança, Proximidade e Valor — definem também a ambição do encontro.
Liderança, para reforçar a capacidade dos enfermeiros especialistas influenciarem políticas, organizações e práticas.
Proximidade, para construir respostas territorializadas e centradas nas necessidades concretas das populações.
E valor, para garantir que as intervenções produzem resultados e ganhos efetivos em saúde.
A transformação digital ocupa igualmente um espaço importante na reflexão. As novas tecnologias e os sistemas de informação podem melhorar a acessibilidade, a continuidade e a eficiência dos cuidados, mas colocam também desafios éticos, de segurança e de inclusão que exigem conhecimento especializado.
O objetivo passa, assim, por promover a investigação, a partilha de boas práticas e o desenvolvimento de projetos inovadores capazes de contribuir para sistemas de saúde mais próximos, sustentáveis e preparados para o futuro.

CHAVES NO MAPA DA SAÚDE E DO CONHECIMENTO

A escolha de Chaves para receber o CIEC26 deixa, por isso, uma mensagem que merece ser sublinhada.
Descentralizar não é apenas levar um evento para outro lugar. É reconhecer capacidade científica, profissional e institucional fora dos grandes centros.
É permitir que o interior seja também espaço de produção e transferência de conhecimento.
E é mostrar que Trás-os-Montes não deve ser visto apenas como território que recebe decisões tomadas noutros lugares, mas também como território capaz de acolher, discutir e ajudar a construir as respostas para os grandes desafios do país.
Durante dois dias, Chaves transforma-se, assim, num ponto de encontro para quem pensa a saúde a partir das pessoas e das comunidades.
Num tempo em que se fala cada vez mais de proximidade, talvez não haja melhor lugar para discutir o futuro da enfermagem comunitária do que uma cidade do interior que decidiu abrir as portas ao conhecimento internacional.
Porque aproximar a saúde das pessoas começa também por aproximar o conhecimento dos territórios.
E, desta vez, essa conversa acontece em Chaves. Acontece em Trás-os-Montes.

Jornalista: Paulo Silva Reis texto e fotos

Dizeres Populares TASTY ARREGUILAR OS OLHOS Mirandela Braganca 730x90px
Alheiras Angelina
Dizeres Populares BIG MAC VAI NUM AI Mirandela Braganca 730x90px
banner canal n
Banner Hotel
Dizeres Populares BATATAS TAO ESTALADICAS Mirandela Braganca 730x90px
IMG_9798
BANNER INTERNET VERSOS
Artigo anteriorBIBLIOTECA MUNICIPAL DO PESO DA RÉGUA CELEBRA 20 ANOS COM QUATRO DIAS DE INICIATIVAS