Exposição do artista autodidata de raízes luso-cabo-verdianas está patente durante o mês de outubro na Sala Multiusos da Biblioteca Municipal de Chaves, no âmbito do ciclo “Os Nossos Artistas”.
Há obras que se observam. E há outras que, antes de tudo, se sentem. É nessa dimensão que se afirma “Cores”, a exposição de Euclides A. Tavares que, durante o mês de outubro, convida o público a descobrir na Biblioteca Municipal de Chaves um universo artístico marcado pela cor, pela energia e pelas experiências de vida do autor.
A mostra, inaugurada no passado dia 2 de outubro, reúne trabalhos de um artista autodidata, de raízes luso-cabo-verdianas, que encontrou na pintura, há cerca de duas décadas, uma forma de expressar a sua maneira particular de olhar para o mundo.
Nas telas de Euclides A. Tavares cruzam-se natureza, comportamento humano, emoções e experiências, numa linguagem pictórica onde a cor assume um papel central. Cada obra transporta, assim, não apenas uma opção estética, mas também um fragmento da forma como o artista interpreta aquilo que o rodeia.
Na sessão inaugural, o pintor não escondeu a satisfação por poder apresentar o seu trabalho em Chaves, cidade à qual está ligado e onde passa uma parte significativa do ano. A exposição representa, para o artista, a oportunidade de partilhar com a comunidade uma parte do seu percurso e, sobretudo, a sua forma de sentir e interpretar a realidade através da pintura.
O presidente da Câmara Municipal de Chaves, Nuno Vaz, destacou a importância do ciclo “Os Nossos Artistas”, enquanto espaço de promoção e valorização dos criadores ligados ao território. O autarca salientou ainda a tradição de criatividade e expressão cultural existente no concelho, apontando à exposição de Euclides A. Tavares a força, a cor e a energia que atravessam as obras apresentadas.
A ligação entre o artista e a cidade ganhou uma expressão particularmente simbólica durante a inauguração.
Euclides A. Tavares decidiu oferecer ao Município de Chaves uma das suas telas, num gesto de reconhecimento pela ligação que mantém à cidade e de partilha do seu percurso artístico.
A obra foi entregue ao presidente da Câmara Municipal, que agradeceu a oferta e destacou o seu significado enquanto contributo para o enriquecimento do património artístico municipal.
Mais do que uma simples doação, a tela passa a representar também uma memória desta passagem de “Cores” por Chaves e da relação construída entre o artista, a cidade e a comunidade.
Com esta exposição, o ciclo “Os Nossos Artistas” volta a cumprir o propósito de aproximar os cidadãos da criação artística e de dar palco a diferentes percursos, linguagens e sensibilidades.
Em “Cores”, a pintura de Euclides A. Tavares não procura apenas mostrar. Procura comunicar, provocar e despertar emoções.
E, por isso, durante este mês, a Biblioteca Municipal de Chaves transforma-se também num espaço onde as cores contam histórias, algumas do mundo que o artista vê, outras do mundo que cada visitante leva consigo.
Jornalista: Paulo Silva Reis
Foto: DR
























