GEXPOCTEP aposta nas raças autóctones e em soluções como coleiras eletrónicas e cercas virtuais para uma gestão mais sustentável da paisagem na Reserva da Biosfera Gerês-Xurés.

Montalegre acolhe esta quinta-feira, 8 de outubro, a sessão de lançamento do GEXPOCTEP – Inovação e Sustentabilidade na Pecuária Autóctone para a Preservação Ambiental na Fronteira Hispano-Lusa, um projeto de cooperação transfronteiriça que pretende aproximar tecnologia, atividade agropecuária e conservação da natureza.
A sessão decorre a partir das 10h00, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, e marca o arranque público de uma iniciativa desenvolvida entre Portugal e Espanha, com intervenção no território da Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés.
O projeto parte da valorização das raças autóctones e do pastoreio sustentável enquanto ferramentas de gestão da paisagem. A utilização de animais em regime extensivo pode contribuir para controlar a vegetação e reduzir a acumulação de combustível vegetal, ajudando simultaneamente na prevenção de incêndios rurais e na preservação dos ecossistemas.
A inovação tecnológica é outra das componentes centrais do GEXPOCTEP. Entre as soluções previstas estão coleiras eletrónicas e cercas virtuais, ferramentas destinadas a permitir um acompanhamento mais eficiente dos animais e uma gestão mais rigorosa dos efetivos pecuários.
A aposta pretende facilitar o trabalho dos produtores, melhorar a utilização dos recursos e reforçar o contributo da atividade pecuária para a manutenção da paisagem, sem desligar a inovação das práticas tradicionais que continuam a marcar os territórios rurais de montanha.
A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR NORTE) é parceira do projeto, aprovado no âmbito do Programa Interreg POCTEP 2021-2027 e cofinanciado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).
A dimensão transfronteiriça assume particular importância num território como o Gerês-Xurés, onde a fronteira administrativa não separa os desafios ambientais. A preservação da biodiversidade, a prevenção dos incêndios e a sustentabilidade das atividades económicas exigem respostas articuladas entre os dois países.
O GEXPOCTEP procura precisamente criar essa articulação, cruzando conhecimento tradicional, inovação tecnológica e cooperação transfronteiriça, com o objetivo de encontrar novas formas de proteger a paisagem, apoiar as comunidades rurais e valorizar a pecuária extensiva.
A apresentação em Montalegre coloca, assim, no centro do debate uma questão cada vez mais relevante para os territórios de montanha: como utilizar a inovação para preservar a natureza sem perder as atividades e os saberes que moldaram a própria paisagem.

Jornalista: Paulo Silva Reis
Foto: DR

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