O 1.º Encontro Luso-Galego de Pastos, Comunidades e Futuro Rural terminou no Centro SIPAM do Barroso, depois de uma primeira jornada na Galiza. A falta de renovação geracional, a diminuição dos efetivos pecuários e a prevenção dos incêndios estiveram entre os principais desafios em discussão.
O futuro da pastorícia e a sustentabilidade dos territórios rurais estiveram no centro do 1.º Encontro Luso-Galego de Pastos, Comunidades e Futuro Rural, que terminou no Centro SIPAM do Barroso, em Montalegre, após uma primeira jornada realizada em Qualedro, na Galiza.
A iniciativa reuniu especialistas, investigadores, agricultores e representantes de entidades portuguesas e galegas para partilhar experiências e discutir soluções para os desafios que afetam a atividade agropecuária e as comunidades rurais dos dois lados da fronteira.
Entre as principais preocupações identificadas estiveram a diminuição do número de animais no território, o envelhecimento da população agrícola e as dificuldades em assegurar a renovação geracional, fatores que colocam pressão sobre a continuidade da pastorícia e a gestão das áreas rurais.
O encontro destacou também a importância do pastoreio extensivo e da gestão sustentável dos baldios na preservação da biodiversidade, na prevenção dos incêndios rurais e na manutenção da atividade económica e social das comunidades.
A utilização de ferramentas de monitorização dos efetivos pecuários, a aplicação de novas tecnologias à gestão do pastoreio e a formação de novos profissionais, nomeadamente através da Escola de Pastores, estiveram entre as soluções debatidas. O objetivo passa por conciliar o conhecimento tradicional com ferramentas inovadoras que facilitem o trabalho dos produtores e contribuam para uma gestão mais eficiente dos recursos.
A presidente da Câmara Municipal de Montalegre, Fátima Fernandes, defendeu a importância de reforçar a cooperação entre Portugal e a Galiza, considerando essencial a existência de políticas comuns para a valorização deste território partilhado.
A autarca salientou o papel dos baldios e das pastagens na proteção ambiental, na prevenção dos incêndios e na dinamização da economia local, sublinhando a necessidade de garantir melhores condições de sustentabilidade para a atividade pecuária.
“A pastorícia tem de gerar rendimento, a pecuária tem de ser atrativa, sobretudo para uma geração mais nova que também tem o direito a aspirar a uma vida mais confortável”, afirmou Fátima Fernandes, defendendo que o setor deve oferecer perspetivas económicas capazes de atrair novos produtores.
A responsável destacou ainda o potencial da inovação tecnológica para melhorar a gestão dos efetivos e reduzir as dificuldades enfrentadas pelos agricultores, considerando importante criar mecanismos de apoio que tornem estas soluções mais acessíveis a quem trabalha no território.
A realização do encontro assume particular relevância no Barroso, território cujo sistema agrícola tradicional está reconhecido internacionalmente como Património Agrícola Mundial. A pastorícia extensiva, a utilização comunitária dos baldios e a ligação das populações à terra continuam a desempenhar um papel determinante na identidade da região.
O encontro terminou com o reforço da necessidade de aproximar instituições, produtores e comunidades na procura de respostas comuns para um desafio central: garantir que a atividade agropecuária continue a gerar rendimento, a preservar a paisagem e a manter vivas as comunidades rurais do Norte de Portugal e da Galiza.
Jornalista: Paulo Silva Reis
Fotos: DR























