Projeto europeu I-ReWater está a avaliar o potencial da água regenerada na agricultura, numa altura em que as alterações climáticas e a escassez de recursos hídricos pressionam o setor. Encontro na ESACT aproximou a investigação científica dos desafios dos agricultores e abriu caminho a novas aplicações no concelho.

Mirandela está a testar a utilização de água residual tratada na agricultura, através de uma experiência-piloto num olival com mais de 20 hectares, onde é utilizada água regenerada proveniente da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) do concelho. A iniciativa integra o projeto europeu I-ReWater, que promove a reutilização de água na agricultura como resposta aos desafios da escassez hídrica e das alterações climáticas.
O projeto esteve em destaque esta terça-feira, 13 de outubro, durante uma Ação de Sensibilização e Jornadas Participativas realizada no Auditório da Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo (ESACT), em Mirandela.
A experiência desenvolvida no concelho recorre a água submetida a tratamento terciário, que inclui filtração mecânica e desinfeção por radiação ultravioleta. O objetivo é avaliar o potencial da água regenerada para utilização agrícola, contribuindo para uma gestão mais eficiente dos recursos hídricos.
Financiado pelo programa Interreg Sudoe, o I-ReWater reúne 16 parceiros de Portugal, Espanha, França e Andorra e contempla 15 experiências-piloto. A iniciativa procura aprofundar o conhecimento sobre a utilização de água residual tratada na rega, promovendo soluções que possam responder às necessidades do setor agrícola e reforçar a sustentabilidade dos sistemas de produção.
Na sessão de abertura, o presidente da Câmara Municipal de Mirandela, Vítor Correia, sublinhou a importância de aproximar a investigação científica das necessidades concretas dos agricultores, num contexto em que a disponibilidade de água assume um peso crescente na atividade agrícola.
«A tradição é a nossa raiz, mas a ciência é o nosso alicerce para o futuro», afirmou o autarca, defendendo a importância de conjugar o conhecimento e a inovação com a experiência acumulada no território.
As jornadas permitiram ainda alargar a discussão a outras utilizações possíveis da água regenerada, nomeadamente em atividades municipais que não exigem água potável.
Entre as aplicações em análise estão a rega de espaços verdes, a lavagem de ruas e a limpeza de equipamentos, soluções que poderão contribuir para reduzir o consumo de água potável em tarefas compatíveis com a utilização de recursos hídricos alternativos.
A reutilização de águas residuais tratadas surge, assim, como uma possibilidade a explorar numa estratégia de gestão mais eficiente e sustentável da água. A sua aplicação depende, contudo, do cumprimento dos requisitos de qualidade e segurança adequados a cada utilização.
Em Mirandela, a experiência-piloto do I-ReWater coloca o concelho no centro desta reflexão, procurando avaliar soluções que conciliem a atividade agrícola, a proteção dos recursos naturais e a adaptação às crescentes pressões sobre a disponibilidade de água.

Jornalista: Paulo Silva Reis
Foto: DR

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