Ainda o sol mal tinha rompido no horizonte e já a cidade fervilhava de movimento. A tradicional Feira do Gado voltou a chamar produtores, compradores e curiosos, enquanto milhares de visitantes encheram as ruas, provocaram fortes constrangimentos no trânsito e formaram longas filas à mesa do polvo. Chaves vive um dos dias mais intensos do ano.
Chaves acordou cedo, muito cedo, para aquele que é um dos momentos mais aguardados da Feira dos Santos. Ainda o sol mal raiava e já milhares de pessoas convergiam para a cidade, atraídas pela tradição, pelo negócio e pelo ambiente único que, todos os anos, transforma a capital do Alto Tâmega num enorme ponto de encontro.
A manhã deste sábado ficou marcada pela forte afluência à tradicional Feira do Gado. No Mercado do Gado, produtores, compradores, criadores e visitantes voltaram a dar vida à vertente mais rural do certame, numa tradição que resiste ao tempo e mantém a ligação profunda de Chaves ao mundo agrícola e pecuário.
Mas a dimensão da feira sente-se muito para além daquele espaço. As ruas estão preenchidas por visitantes, os acessos registam uma circulação particularmente intensa e o trânsito tornou-se caótico em vários pontos da cidade. Circular de automóvel é uma tarefa difícil e, em algumas zonas, a multidão quase não deixa espaço para avançar a pé.
O POLVO VOLTOU A SER UM DOS GRANDES PROTAGONISTAS
E se há tradição que rivaliza com a feira do gado na capacidade de mobilizar visitantes, é a gastronomia. O polvo voltou a ser uma das grandes atrações dos Santos, com filas que parecem não ter fim para quem não dispensa este clássico da mesa flaviense.
O Festival Gastronómico do Polvo, marcado para as 13h00, junto ao Forte de São Neutel, reforça uma ligação gastronómica que atravessa a fronteira e que há muito conquistou lugar de destaque na identidade da Feira dos Santos.
Ao longo de cerca de quatro quilómetros de arruamentos, o certame reúne perto de 600 expositores, numa edição em que a organização espera ultrapassar os 100 mil visitantes, confirmando a escala de um acontecimento que ultrapassou há muito as fronteiras do concelho e atrai pessoas de diferentes pontos do país e da vizinha Galiza.
À noite, a animação prossegue no Largo General Silveira, com o DJ’s Night Festival, que assinala os 30 anos de carreira de DJ Wild.
A Feira dos Santos é muito mais do que um espaço de comércio. É um ritual coletivo, um regresso às origens, um encontro de gerações e uma montra da identidade transmontana. Há quem venha para comprar, quem procure vender, quem chegue apenas para passear e quem regresse a Chaves todos os anos para reencontrar familiares e amigos.
A cidade muda de ritmo, enche-se de sotaques, de movimento e de vida. A tradição pecuária convive com o comércio, o artesanato, a gastronomia e a animação popular, numa mistura que continua a fazer dos Santos um acontecimento singular.
Hoje, Chaves está cheia. O trânsito abranda, as filas crescem e as ruas mal conseguem absorver tanta gente. Mas é precisamente nesta intensidade, nesta confusão própria dos grandes dias e nesta capacidade de reunir milhares de pessoas que reside uma parte da magia da Feira dos Santos.
Paulo Silva Reis e Edgar Pedreiro texto e fotos






































