Uma investigação arqueológica na Penascosa, no Parque Arqueológico do Vale do Côa, identificou centenas de fragmentos de pigmentos minerais associados a vestígios de ocupação humana com mais de 27 mil anos. Os materiais poderão trazer novas pistas sobre as técnicas artísticas utilizadas pelas comunidades do Paleolítico Superior.
As descobertas foram realizadas pela Fundação Côa Parque, numa área próxima da Rocha 3 da Penascosa, com cerca de oito metros quadrados. Os trabalhos contaram também com a participação de estudantes de Arqueologia da Universidade de Lisboa.
Segundo Thierry Aubry, coordenador científico da Fundação Côa Parque, os vestígios remontam ao final do período Gravettense e incluem materiais utilizados em diferentes atividades quotidianas, como o tratamento de peles e a produção de instrumentos e armas de caça.
Entre os elementos encontrados estão óxidos de ferro e outros pigmentos naturais, com tonalidades amarelas, vermelhas, pretas e castanhas. A sua presença levanta a possibilidade de estas comunidades terem recorrido à pintura em superfícies rochosas, para além da técnica de gravura que caracteriza grande parte da arte rupestre conhecida no Vale do Côa.
A utilização destes materiais ainda não está totalmente esclarecida. As análises laboratoriais deverão permitir aprofundar a sua origem e perceber se eram destinados à pintura, ao tratamento de peles ou à produção de outros materiais.
Thierry Aubry considera que os vestígios podem alterar a interpretação da arte paleolítica na região, uma vez que a pintura, por ser mais vulnerável à erosão e às condições climáticas, poderá não ter resistido ao longo de milhares de anos.
Os resultados foram apresentados recentemente num seminário na Argélia e despertaram interesse na comunidade científica. A Fundação Côa Parque prevê realizar novas escavações na Penascosa na próxima primavera, para aprofundar o estudo dos materiais.
A investigação volta também a colocar em destaque a dimensão e a importância do património arqueológico do Vale do Côa. Atualmente, estão identificadas cerca de 1600 rochas com arte rupestre, distribuídas por 104 sítios arqueológicos, num conjunto que ultrapassa os 15 mil motivos.
Classificada como Monumento Nacional em 1997 e Património Mundial da UNESCO no ano seguinte, a Arte do Côa continua a revelar novos elementos sobre as comunidades humanas que habitaram este território há milhares de anos.
Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR





















