Resultados dos rankings escolares de 2025 revelam realidades distintas em Trás-os-Montes e Alto Douro. A Escola Secundária Dr. Júlio Martins lidera a classificação nacional da equidade, enquanto a Escola Básica e Secundária Professor António da Natividade, em Mesão Frio, surge entre as últimas posições na tabela baseada nas médias dos exames nacionais.

Trás-os-Montes e Alto Douro apresenta resultados muito distintos no retrato nacional do desempenho escolar em 2025. Entre os dados agora divulgados, há um destaque inequívoco para Chaves: as três escolas secundárias do concelho figuram no top 10 nacional do ranking da equidade, um indicador que procura avaliar a capacidade das escolas para promover o sucesso dos alunos, tendo em conta as suas condições socioeconómicas.
A Escola Secundária Dr. Júlio Martins ocupa o primeiro lugar nacional nesta classificação. Apesar de apresentar uma média de 11,76 valores nos exames nacionais, o estabelecimento conseguiu que 96% dos alunos abrangidos pela Ação Social Escolar concluíssem o ensino secundário nos três anos previstos. Este resultado representa uma diferença positiva de 26,79 pontos percentuais face ao que seria expectável em escolas com alunos de perfil socioeconómico semelhante.
O desempenho de Chaves não se fica por aqui. A Escola Secundária Dr. António Granjo alcançou o quinto lugar nacional no ranking da equidade: 94% dos alunos apoiados pela Ação Social Escolar concluíram o secundário em três anos, um resultado 22,99 pontos percentuais acima da referência para estabelecimentos com contextos comparáveis.
Já a Escola Básica e Secundária Fernão de Magalhães fecha o top 10 nacional. Nesta escola, 95% dos alunos abrangidos por apoios sociais concluíram o ensino secundário no tempo previsto, superando em 21,62 pontos percentuais o valor esperado para escolas com características semelhantes.
Os resultados assumem particular importância numa região marcada por desafios demográficos, pelo envelhecimento da população e por desigualdades territoriais no acesso a oportunidades. Mostram que a escola pode desempenhar um papel determinante na promoção da mobilidade social, mesmo quando trabalha com alunos que enfrentam maiores dificuldades.
Mas o retrato regional também evidencia fragilidades. A Escola Básica e Secundária Professor António da Natividade, em Mesão Frio, surge no penúltimo lugar do ranking do ensino secundário elaborado pelo Observador em parceria com a Nova SBE, com uma média de 7,78 valores nos exames nacionais.
A diferença entre os resultados externos e a avaliação interna é expressiva: enquanto a média dos exames se ficou pelos 7,78 valores, a classificação interna atingiu os 14,57. A escola registou médias negativas em quase todas as disciplinas consideradas, com Português a aproximar-se da positiva, nos 9,94 valores, e Física e Química A a apresentar uma média de 5,3 valores. Cerca de 35% dos alunos beneficiam de Ação Social Escolar.
É um resultado que merece uma análise aprofundada, mas que não deve ser interpretado isoladamente como uma avaliação da qualidade de toda a comunidade educativa. As médias dos exames refletem apenas uma dimensão do trabalho desenvolvido pelas escolas e não traduzem, por si só, o contexto dos alunos, o percurso escolar, os recursos disponíveis ou a capacidade de combater desigualdades.
Os resultados publicados pelos vários órgãos de comunicação social não são necessariamente coincidentes. As diferenças decorrem dos critérios utilizados, das disciplinas consideradas, do número mínimo de provas exigido e da metodologia aplicada. O ranking das médias dos exames nacionais mede o desempenho absoluto dos alunos nas provas; o ranking da equidade procura perceber até que ponto as escolas conseguem contrariar as desvantagens de partida.
É precisamente nesta segunda dimensão que Chaves alcança uma expressão nacional particularmente relevante. A presença das três escolas do concelho entre as dez primeiras do país demonstra que os resultados educativos não se esgotam nas notas dos exames e que o sucesso escolar também deve ser observado à luz das oportunidades efetivamente criadas para cada aluno.
Para Trás-os-Montes e Alto Douro, os dados deixam, assim, duas mensagens fundamentais: há escolas que estão a conseguir transformar a educação num instrumento de inclusão e mobilidade social, mas persistem desafios que exigem atenção, investimento e respostas ajustadas à realidade de cada território.
Mais do que uma tabela de posições, o ranking deve ser um ponto de partida para olhar para o ensino na região, reconhecer o trabalho das comunidades educativas e identificar onde é necessário fazer mais para que o local de nascimento ou a condição económica de uma família não determinem o futuro de um aluno.

Paulo Silva Reis e Edgar Pedreiro texto e fotos

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