A aldeia raiana de Montalegre prepara uma iniciativa natalícia invulgar, nascida do trabalho coletivo de várias gerações. Cerca de 40 mulheres, entre os 29 e os 84 anos, estão a transformar centenas de peças feitas à mão numa árvore gigante que será inaugurada a 5 de dezembro, numa celebração que promete juntar tradição, criatividade e espírito comunitário.
Há projetos que começam com uma ideia. E há aqueles que crescem de mão em mão, ponto após ponto, até se transformarem numa obra de toda uma comunidade. Em Tourém, no concelho de Montalegre, o Natal está a ser preparado assim: com agulhas, novelos de lã, muitas horas de dedicação e uma aldeia inteira empenhada em construir uma árvore de cinco metros inteiramente revestida a croché.
A iniciativa, promovida pela Associação Luz da Raia – Tourém, está longe de ser apenas uma decoração natalícia. É um projeto coletivo que tem mobilizado habitantes de diferentes idades e que encontrou no trabalho artesanal uma forma de aproximar pessoas, recuperar saberes e reforçar os laços de uma comunidade raiana.
São cerca de 40 mulheres, com idades entre os 29 e os 84 anos, que têm dado forma a centenas de quadrados e outras peças de croché. Cada uma contribui com o seu tempo, talento e criatividade, sabendo que o trabalho individual acabará por integrar uma construção maior. O resultado será uma árvore com aproximadamente cinco metros de altura, feita de pequenas peças que, juntas, contarão uma história muito maior do que a soma das suas partes.
A organização já lançou o apelo para que os quadrados concluídos comecem a ser entregues, de modo a avançar para a fase de união das peças. A produção, contudo, continua: há ainda lugar para mais mãos, mais quadrados e mais contributos nesta obra que pertence a todos.
Em Tourém, o verdadeiro milagre de Natal não está apenas na árvore que vai nascer, mas na capacidade de uma aldeia se mobilizar para a construir.
UMA ALDEIA VESTIDA A CROCHÉ
Mas a iniciativa não se fica pela árvore. O projeto «Tourém, feito à mão» lança também um desafio aos habitantes: transformar as fachadas das casas num cenário natalício original, recorrendo ao croché para decorar varandas, janelas, portas, muros e jardins.
A proposta dá liberdade à imaginação. Podem ser utilizadas peças novas ou antigas, quadrados já existentes ou composições inteiramente originais. A casa considerada mais criativa e original será distinguida com um prémio, numa iniciativa que pretende levar o espírito do projeto para além do espaço onde ficará instalada a árvore.
A ambição é transformar Tourém num lugar onde o Natal se reconhece nos pequenos detalhes, nas fachadas decoradas e, sobretudo, no envolvimento de quem ali vive.
A inauguração está marcada para sábado, 5 de dezembro de 2026, e promete transformar o Largo do Outeiro num ponto de encontro para habitantes e visitantes.
O programa começa às 17h30, com o acender do Madeiro Gigante. Uma hora depois, às 18h00, será inaugurada a iluminação natalícia e a árvore de croché, num momento acompanhado pelos cantares de Natal do Grupo Folclórico da Venda Nova, de Montalegre.
Às 18h30, a música seguirá pelas ruas da aldeia, com um percurso de porta em porta para cantar temas natalícios. A noite termina, a partir das 19h00, à volta de um jantar no pote, confecionado ao lume, com caldo verde, callos galegos, café feito no pote, queimada e outros petiscos.
A organização convida ainda cada participante a levar um bolo ou uma sobremesa caseira para partilhar à volta da fogueira. Não existe um preço fixo para a participação: cada pessoa poderá contribuir com o donativo que considerar justo.
Num tempo em que muitas aldeias procuram formas de preservar a sua identidade e contrariar o afastamento entre gerações, Tourém encontrou no croché uma resposta simples, mas carregada de significado.
A árvore será iluminada em dezembro, mas a sua construção já está a cumprir o propósito mais importante: juntar pessoas, valorizar competências, recuperar tradições e mostrar que uma comunidade pode transformar uma ideia numa obra extraordinária quando todos encontram nela um lugar.
Em Tourém, ninguém terá de olhar para a árvore e perguntar quem a fez. Foi a aldeia. Cada quadrado terá mãos, tempo e uma história por detrás. E é precisamente isso que torna esta árvore tão especial: não será apenas feita de croché, será feita de pessoas.
Jornalista: Paulo Silva Reis
Fotos: DR
























