Direção deixa entender que será apenas uma solução provisória, decorrente da legislação em vigor, e pensa em contratar um novo comandante.

Desde 1 de junho, Luís Carlos Soares está a exercer o cargo de comandante dos bombeiros voluntários de Mirandela em regime de substituição, depois de Edgar Trigo ter apresentado a demissão do cargo que ocupava há sete anos.

O enfermeiro do INEM de 36 anos já fazia parte do comando, mas terminou a comissão de serviço em outubro de 2019, em litígio com os procedimentos internos do presidente da direção. Desde então, manteve-se como oficial de bombeiro.

Com o pedido de demissão de Edgar Trigo, solicitado através de uma carta enviada à direção, no passado dia 22 de maio, ao que apuramos, terá sido aceite com efeitos a partir de 1 de junho, Luís Carlos Soares seria, de acordo com a legislação em vigor, o único elemento do corpo de bombeiros que poderia assumir o cargo durante este período de transição, até que a direção liderada por Marcelo Lago decida quem será a nova equipa de comando da corporação.

Esta legitimidade de Luís Carlos Soares exercer o cargo de comandante em regime de substituição está ligada ao facto de ser o bombeiro mais graduado do corpo ativo com cerca de 20 anos de serviço. O presidente da direção dos bombeiros, sem prestar declarações gravadas, confirmou apenas que foi aceite a demissão de Edgar Trigo e que Luís Carlos Soares está a substituí-lo, mas acrescenta que, “nos próximos dias haverá novidades”, não concretizando. Também Luís Soares prefere, para já, não prestar declarações sobre o assunto.

Quanto aos motivos que levaram ao pedido de demissão de Edgar Trigo, sabe-se apenas que, para além de não ter a mesma disponibilidade dos primeiros seis anos, já que, desde o início de 2019, deixou de estar a tempo inteiro ao serviço dos bombeiros, para regressar ao seu posto de trabalho, no Município, onde exerce as funções de assistente operacional, também havia relatos de alguma tensão nas relações entre Edgar Trigo e alguns elementos do corpo ativo.

Sabe-se agora que, um mês antes do pedido de demissão, cerca de três dezenas de bombeiros da corporação subscreveram um abaixo-assinado a pedir a demissão do então comandante.

A carta entregue à direção denunciava um “gradual e progressivo desinteresse” de Edgar Trigo “pelo bem-estar e funcionamento do corpo de bombeiros” deixando-os “desprovidos de qualquer apoio no dia-a-dia e em todas as situações que têm surgido no quartel”, referia a carta que dava conta que esta situação deixava os bombeiros “tristes, desiludidos e desmotivados”. O abaixo-assinado denunciava ainda “falta de elaboração de escalas de serviço e falta de formação”.

Edgar Trigo, de 47 anos, estava no cargo de comandante desde janeiro de 2013.

Jornalista: Fernando Pires

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