Artigo de opinião escrito por Katy Rodrigues – Consultora em Marketing, Turismo e Sistemas de Informação

Se não conhece o Douro, imagine um lugar onde a terra e os rios se cruzam e o verde das oliveiras alternam com as vinhas que se impõem… imagine um mosaico de socalcos de solo xistoso, onde as adegas e as quintas se harmonizam com os hotéis de charme.

Se conhece o Douro, conhece certamente a imponência histórica do barco Rabelo e um traçado férreo que permite contemplar a exuberância dos terroirs que fazem do vinho e do azeite o ouro líquido da região.

Mas há muito mais para dizer sobre o Douro e outro tanto para refletir… entre rios e vinhedos, olivais e cruzeiros, assiste-se ao profundo desencanto da falta de gente. O envelhecimento da população, a queda da natalidade e a migração dos residentes são realidades marcantes em todo o Interior e um gigante fator de ponderação para os investidores, que se perdem entre os custos operacionais alusivos a esta circunstância (e outras) e a incerteza sobre a disponibilidade da força de trabalho.

Nos últimos anos, somaram-se glamorosos empreendimentos turísticos e multiplicaram-se distinções internacionais nos vinhos e nos azeites Durienses, produzidos com mão de obra volátil.

Diante disso, é crucial reconhecer a importância da mão de obra para a prosperidade e a sustentabilidade da região.  Há que ter os pés bem assentes na terra e a mente ainda mais aberta: serão sempre os saberes locais e a expertise de quem lá nasceu que manterá viva a alma da região, e é preciso cativar (e fixar) quem passa e experimenta ficar.

É natural que os jovens procurem oportunidades nos grandes centros urbanos, onde a variedade de recursos e experiências impulsionam as suas carreiras e o seu desenvolvimento pessoal. Mas será tão necessário? Ter-se-á o Douro tornado um lugar inacessível para quem lá nasce?

À medida que as políticas públicas tentam incentivar a fixação de pessoas na região e o Douro alarga a sua expressão na esfera turística, o enoturismo afigura-se como uma alternativa “sexy”, que estende o negócio para além das vindimas. Mas o futuro da região será ditado pelos grandes desafios que surgem com a evolução tecnológica, a necessidade de práticas sustentáveis e a adaptação às crescentes exigências das indústrias e do turismo. E sem gente, nada é possível!

O Douro exige dedicação e uma ligação íntima com a sua história para que possamos preservá-lo exatamente como ele é: único! Acima de tudo, o Douro exige pés firmes no chão e um grande coração para quem o sente de verdade. O Douro exige residentes e não apenas plantas e turistas!

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