Os factos vistos à lupa – Uma parceria com o Instituto +Liberdade (maisliberdade.pt) com o Canal N

Venezuela: a riqueza do petróleo e a pobreza das instituições

A Venezuela tem as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo — cerca de 303 mil milhões de barris, aproximadamente 18% do total global. Em teoria, esta vantagem colocaria o país entre os mais prósperos do planeta. Na prática, tornou-se um caso de estudo sobre como recursos abundantes não substituem instituições sólidas.

Nos últimos anos, a crise política agravou-se. As eleições presidenciais de 28 de julho de 2024 foram marcadas por contestação interna e internacional, com denúncias de irregularidades e de falta de transparência na contagem e divulgação dos resultados. A 3 de janeiro de 2026, Nicolás Maduro foi capturado numa operação conduzida pelos Estados Unidos e transferido para território norte-americano, onde enfrenta processos judiciais. O episódio é extraordinário, mas encaixa numa trajetória de erosão institucional e de conflito prolongado entre regime e oposição.

Mesmo com petróleo “a mais”, a Venezuela produz “a menos”: em 2023 respondeu por apenas cerca de 1% da produção mundial de crude. A explicação não está no subsolo, mas à superfície: degradação da PDVSA (petrolífera da Venezuela), fuga de quadros técnicos, falta de investimento e manutenção, corrupção, e dificuldades técnicas de extração — grande parte das reservas é de crude extra-pesado, exigindo tecnologia, diluentes e refinarias operacionais. A isto somam-se constrangimentos externos, incluindo sanções e limitações ao acesso a financiamento, equipamentos e mercados.

O contraste é brutal: um país sentado sobre uma das maiores riquezas naturais do mundo, mas preso numa espiral de desorganização estatal, pobreza e instabilidade. A lição é simples e incómoda: sem Estado de direito, regras previsíveis e boa governação, até o “ouro negro” se transforma numa maldição — e a abundância não chega a quem mais precisa. Reerguer a produção e a economia exige confiança, investimento privado e prestação de contas. Não há atalho energético.

André Pinção Lucas e Juliano Ventura

12 de janeiro de 2026

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