A Guarda Nacional Republicana (GNR) está a desenvolver ações de patrulhamento especializado no Planalto Mirandês, com o objetivo de detetar a eventual utilização de venenos e armadilhas ilegais que coloquem em risco animais protegidos, como o lobo-ibérico, e aves rupícolas, entre as quais abutres e milhafres. A operação abrange os concelhos de Miranda do Douro, Mogadouro e Vimioso, no distrito de Bragança.

Segundo fonte oficial da GNR, estas ações tiveram início no começo da semana e surgem na sequência de vários alertas relacionados com suspeitos ataques de espécies predadoras protegidas a animais de explorações agrícolas, bem como a episódios envolvendo aves de rapina e necrófagas.

O patrulhamento conta com militares especializados e binómios cinotécnicos, treinados para a deteção de substâncias tóxicas e armadilhas no meio natural. O objetivo central passa por prevenir crimes ambientais, salvaguardar os ecossistemas e proteger tanto a fauna selvagem como os animais domésticos, nomeadamente os cães utilizados na guarda e proteção dos rebanhos.

“Perante este cenário, foi identificado um risco acrescido de utilização de substâncias tóxicas no meio natural, uma prática ilegal que representa uma ameaça grave para a biodiversidade e para a segurança dos próprios animais de trabalho”, alertou a GNR, sublinhando que o uso de venenos tem impactos severos e duradouros nos equilíbrios ecológicos.

Paralelamente à vertente operacional, a força de segurança está também a apostar na sensibilização das populações locais, alertando para as consequências legais, ambientais e de saúde pública associadas à utilização de venenos, numa região onde a convivência entre atividades agropecuárias e fauna selvagem é particularmente sensível.

A intensificação da vigilância surge num contexto de crescente tensão no território. Na passada sexta-feira, um ataque de lobos em Carção, no concelho de Vimioso, provocou a morte de 14 ovelhas, na sua maioria cordeiros, e deixou outro animal gravemente ferido, segundo o proprietário dos animais.

De acordo com dados do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), desde 2024 foram registados 32 ataques de lobos no Planalto Mirandês, uma região fronteiriça marcada pela presença do lobo-ibérico e por extensas áreas de pastoreio.

Também na área do Parque Natural do Douro Internacional (PNDI) têm sido reportados alegados ataques de abutres a bovinos e ovinos, nomeadamente nas aldeias de Bemposta e Vilar do Rei, no concelho de Mogadouro, em meados de 2025, aumentando a preocupação entre produtores e autoridades.

Com estas ações, a GNR pretende reforçar a proteção da biodiversidade, garantir o cumprimento da lei e promover uma coexistência mais segura entre a atividade humana e as espécies protegidas que habitam o Planalto Mirandês.

A Redação com Lusa
Foto: DR

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