As festividades em honra de São Sebastião, santo protetor contra a guerra, a fome e a peste, realizam-se no próximo dia 20 de janeiro, terça-feira, naquela que é considerada a romaria de maior simbolismo religioso e cultural do concelho de Boticas. Por estes dias, as aldeias de Vila Grande e Alturas do Barroso preparam-se para acolher milhares de visitantes, mantendo viva uma tradição com mais de 200 anos de história.
Conhecida como a “Mesinha de São Sebastião”, esta romaria é uma das mais antigas manifestações de fé do concelho e atrai anualmente devotos e curiosos de vários pontos do país. A origem da tradição remonta à época das Invasões Francesas, quando os habitantes das duas aldeias prometeram a São Sebastião oferecer comida a todos os que passassem pela localidade no dia 20 de janeiro, em troca da sua proteção divina.
Segundo a lenda, um intenso nevão terá impedido a passagem das tropas francesas, poupando as aldeias à destruição. Desde então, a promessa é cumprida anualmente, como forma de agradecimento e devoção, mantendo-se a crença de que, enquanto a tradição perdurar, as aldeias permanecerão protegidas da guerra, da fome e da peste.
Em Vila Grande, na freguesia de Dornelas, as principais ruas da aldeia enchem-se de longas mesas de madeira onde são colocados pão caseiro, arroz e carne, confecionada em potes de ferro ao lume, para serem partilhados gratuitamente com todos os visitantes. Já em Alturas do Barroso, a homenagem ao santo mártir faz-se com a oferta de pão, vinho e da tradicional feijoada, servida às centenas de devotos que se deslocam à localidade.
Os alimentos necessários para os almoços comunitários são oferecidos pela população local ou adquiridos através das esmolas recolhidas, num gesto coletivo de partilha e solidariedade que marca profundamente esta celebração.
Antes do almoço, como manda a tradição, realizam-se as celebrações eucarísticas em honra de São Sebastião, bem como a bênção dos alimentos, reforçando o caráter religioso e comunitário de uma romaria que continua a afirmar-se como um dos mais marcantes testemunhos de fé e identidade cultural do concelho de Boticas.
A Redação,
Foto: DR



















