Há dias em que o percurso profissional se cruza com a memória, a identidade e o reconhecimento. Para Pedro Sarmento Costa, fotojornalista da Agência Lusa, um desses dias aconteceu quando, pela primeira vez, deixou o conforto silencioso de quem observa para se colocar “do lado da frente da lente”.

Natural de Vila Pouca de Aguiar, em pleno coração de Trás-os-Montes, Pedro Sarmento Costa é hoje uma referência nacional no fotojornalismo, mas nunca deixou de carregar no olhar a marca do território que o viu nascer: a sobriedade, a resistência, o respeito pela terra e pelas pessoas. Ser transmontano não é apenas uma origem, é uma forma de estar no mundo e, no seu caso, de contar histórias com imagens que falam por si.

O convite para integrar a apresentação do Anuário da Agência Lusa 2025 marcou um momento simbólico e particularmente emotivo no seu percurso. A publicação reúne várias das suas fotografias mais marcantes, captadas durante os incêndios do verão passado, imagens que testemunham a dureza do fogo, o sofrimento humano e a luta incansável no terreno. Uma dessas fotografias foi escolhida para a capa do anuário, um reconhecimento de enorme significado profissional.

Perante uma plateia repleta de jornalistas e fotógrafos que o próprio foi admirando ao longo dos anos, Pedro Sarmento Costa partilhou a experiência de quem vive o jornalismo no limite do tempo e da emoção, onde cada fotografia é um ato de responsabilidade e cada clique pode tornar-se memória coletiva. Foi um momento de partilha, mas também de afirmação silenciosa de um percurso construído com rigor, ética e um profundo respeito pela realidade.

A cerimónia incluiu ainda uma exposição evocativa dos 40 anos da Agência Lusa, sublinhando o papel histórico da agência na construção da memória visual e informativa do país, uma história à qual Pedro Sarmento Costa pertence plenamente.

Entre os presentes esteve o Ministro da Presidência, Leitão Amaro, que fez questão de deixar palavras de apreço ao trabalho do fotojornalista, reconhecendo publicamente a qualidade, o impacto e a relevância do seu contributo para o jornalismo nacional.

Num tempo em que a imagem é muitas vezes efémera, o trabalho de Pedro Sarmento Costa distingue-se pela densidade humana, pela verdade do instante e pela capacidade de transformar o olhar transmontano num património coletivo. Da serra ao país, da periferia ao centro da informação, o seu percurso é prova de que o talento não conhece geografias, mas nunca esquece de onde vem.

E naquele dia, ao passar para o lado da frente da lente, ficou claro: há fotógrafos que registam o mundo e outros que o ajudam a compreender-se. Pedro Sarmento Costa pertence, indiscutivelmente, aos segundos.

Jornalista: Paulo Silva Reis
Foto: DR

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