O Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) alertou esta quinta-feira para a falta de contratação de médicos na Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste, denunciando um défice de “dezenas” de profissionais e a ausência de progressão na carreira para os clínicos atualmente ao serviço.
O sindicato, integrante da Federação Nacional dos Médicos, esteve hoje no hospital de Bragança, onde reuniu com profissionais de saúde que manifestaram diversas preocupações, sobretudo relacionadas com a escassez de médicos integrados nos quadros e a crescente dependência de prestadores de serviço.
Segundo a presidente do SMN, Joana Bordalo e Sá, há serviços a funcionar sem médicos do quadro, situação que considera particularmente grave. “Há falta de quadros em alguns serviços que estão entregues a colegas em prestação de serviço, como acontece, por exemplo, na ginecologia e obstetrícia. Não estamos a falar apenas de urgência, mas de consulta e internamento, numa das áreas mais exigentes”, afirmou. A dirigente sindical apontou ainda a ortopedia como outro serviço fortemente dependente de especialistas contratados como prestadores de serviço.
De acordo com o sindicato, faltam dezenas de médicos na ULS do Nordeste, sendo a resposta assistencial assegurada sobretudo pelo esforço dos profissionais que permanecem na instituição. “O serviço só é garantido porque há médicos resistentes que vestem a camisola e fazem o melhor que conseguem”, sublinhou Joana Bordalo e Sá.
Outro dos problemas identificados prende-se com a ausência de avaliação e progressão na carreira médica. A responsável sindical afirmou que praticamente todos os médicos da ULS do Nordeste se encontram estagnados no primeiro patamar da respetiva categoria, sem evolução vertical ou horizontal. “Trata-se de um processo normal e regular que não está a existir. É uma boa pergunta para ser feita ao conselho de administração e é algo que o Sindicato dos Médicos do Norte vai questionar e exigir que seja efetivado”, acrescentou.
O SMN criticou ainda a falta de investimento do Governo liderado por Luís Montenegro na contratação de médicos, nomeadamente para a formação geral e especializada, defendendo uma distribuição mais equitativa das vagas entre o Litoral e o Interior.
Dados avançados anteriormente pela própria ULS do Nordeste revelam uma diminuição progressiva do número de médicos internos a realizar formação na instituição. De um total de 46 vagas disponíveis, entraram 38 médicos internos em 2024, 26 em 2025 e estão previstos apenas 11 em 2026, ficando por preencher 35 lugares.
O encerramento da urgência cirúrgica do hospital de Mirandela, há mais de dois anos, continua igualmente a ser motivo de contestação, com o sindicato a exigir a sua reabertura.
A Unidade Local de Saúde do Nordeste informou não ter “informação a acrescentar relativamente ao assunto em questão”.
A Redação com Lusa
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