O projeto Ultreia Sudoe pretende impulsionar o desenvolvimento económico e social dos Caminhos de Santiago, através da valorização dos recursos naturais e culturais, materiais e imateriais, bem como da capacidade produtiva artesanal, criativa e agroalimentar dos territórios atravessados pelas rotas jacobeias.
Orçado em cerca de 1,4 milhões de euros, o projeto é financiado pelo Programa Interreg Sudoe, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), e envolve um consórcio internacional de entidades de Espanha, França e Portugal. Do lado português participam o Município de Vila Pouca de Aguiar e a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, juntando-se a várias instituições espanholas e francesas ligadas à gestão e promoção dos Caminhos de Santiago.
O principal objetivo passa pela criação de uma estratégia partilhada para os Caminhos de Santiago no espaço Sudoe, que aproxime os recursos locais dos turistas e peregrinos, tanto de forma presencial como digital. A iniciativa procura garantir um turismo mais respeitador, consciente e autêntico, ao mesmo tempo que promove um modelo de desenvolvimento económico e social sustentável nos territórios atravessados pelos Caminhos.
No âmbito do projeto foi já constituído um grupo de trabalho, que reuniu pela primeira vez, no final da semana passada, em Vila Pouca de Aguiar. Este grupo funciona como um espaço de governação local, promovendo a articulação entre os principais agentes do território e o desenvolvimento de iniciativas conjuntas. O grupo mantém-se aberto à adesão de novos parceiros interessados em contribuir para a dinamização económica local.
Uma das medidas centrais do Ultreia Sudoe é a criação de espaços físicos ou virtuais designados por “Paradas”, distribuídos ao longo do Caminho. Estes espaços destinam-se à divulgação e valorização do património cultural, artesanal e agroalimentar de cada território, promovendo a comercialização de produtos locais e a geração de riqueza para as comunidades.
Em Vila Pouca de Aguiar, a “Parada” terá um espaço físico junto à Capela do Senhor, aberto ao público, onde peregrinos e visitantes poderão conhecer os produtos, os saberes e as tradições da região. Mais do que simples pontos de descanso, as Paradas assumem-se como verdadeiras montras do território, promovendo a economia circular, a sustentabilidade e o orgulho rural.
O projeto contempla ainda uma forte aposta na digitalização, com a instalação de sistemas de medição de fluxos de pessoas e outras ferramentas tecnológicas que permitirão recolher dados relevantes para o planeamento, a tomada de decisão e a análise da experiência dos peregrinos.
O Ultreia Sudoe deverá estar concluído até ao final de 2026, afirmando-se como uma iniciativa estratégica para a valorização integrada dos Caminhos de Santiago e para o reforço da coesão económica e social dos territórios envolvidos.
A Redação,
Fotos: DR






















