O imponente Andor da Senhora da Pena, símbolo maior da religiosidade popular de Mouçós, no concelho de Vila Real, entrou esta terça-feira em consulta pública com vista à sua inscrição no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, um passo decisivo para o reconhecimento e salvaguarda de uma tradição com raízes no século XVIII.

De acordo com o aviso publicado em Diário da República, a manifestação cultural permanecerá em consulta pública durante 30 dias, permitindo contributos e apreciações antes da decisão final por parte da entidade competente.

Considerado um dos maiores andores do país, o Andor da Senhora da Pena destaca-se pelas suas dimensões monumentais e pela complexidade do trabalho artesanal envolvido na sua construção. Com mais de 20 metros de altura, ultrapassando os 23 metros depois de concluído, e um peso que, no dia da procissão, pode atingir cerca de três toneladas, o andor é transportado por mais de uma centena de pessoas durante a romaria da Senhora da Pena, a maior da região transmontana, que se realiza no segundo domingo de setembro.

Segundo a descrição constante na base de dados do Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, a preparação do andor prolonga-se por cerca de dois meses todos os anos, num processo que o “reinventa visualmente”. A estrutura de madeira é totalmente revestida de novo, recorrendo a centenas de ornamentos, mais de mil metros de tecidos e dezenas de quilos de alfinetes, num trabalho minucioso que culmina numa peça de forte impacto visual, marcada pelas formas, cores e texturas, mas sobretudo pela sua altura descomunal.

A organização da festa e a responsabilidade pela construção do andor são assumidas, de forma rotativa, por uma das 11 aldeias da freguesia de Mouçós, garantindo a transmissão intergeracional de saberes, práticas e valores comunitários que sustentam esta tradição secular.

A candidatura ao Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial foi submetida pela Câmara Municipal de Vila Real em novembro de 2023, com o objetivo de valorizar e perpetuar esta expressão singular da identidade local. Na apresentação do processo, o então presidente do município, Rui Santos, sublinhou o carácter excecional da tradição: “É um orgulho valorizar o que é nosso e o que é nosso, em muitos casos, é único em Portugal e no mundo. Esta candidatura obrigou-nos a aprofundar o conhecimento da nossa história, mas permitirá globalizar e perpetuar no tempo este saber ancestral, que valoriza claramente o nosso património cultural e humano”.

Durante o período de consulta pública, o processo pode ser consultado no sítio eletrónico do Património Cultural ou presencialmente no arquivo da Divisão de Cadastro, Inventário e Classificação, no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa. Findo este prazo, o Património Cultural dispõe de 120 dias para se pronunciar sobre o pedido de inventariação.

A eventual inscrição do Andor da Senhora da Pena no Inventário Nacional representará um reconhecimento oficial de uma das mais singulares manifestações da religiosidade popular portuguesa, reforçando a sua proteção e projeção futura.

A Redação com Lusa
Foto: DR

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