O município de Mesão Frio alertou ontem para os “prejuízos significativos” provocados pelo mau tempo nas últimas semanas, com quedas de muros, destruição de vinhas, estradas danificadas e habitações afetadas, danos que, segundo a autarquia, “ultrapassam largamente” a capacidade de resposta municipal.
O presidente da Câmara, Paulo Silva, sublinhou a vulnerabilidade de um concelho com forte dependência da vitivinicultura. “Este é um concelho que tem 900 lavradores, muitos com parcelas pequeninas, e um muro que caia inviabiliza logo o negócio para dois ou três anos. Temos aqui propriedades quase destruídas”, afirmou.
Inserido na Região Demarcada do Douro, Mesão Frio tem na vinha e na produção de vinho a sua principal atividade económica, setor particularmente afetado pela sucessão de depressões que atingiram o território. O autarca descreve “patamares inteiros rachados a meio, estradas cortadas com muros caídos” e contabiliza duas habitações atingidas por uma avalanche de terras, situação que obrigou ao desalojamento de duas famílias, atualmente acolhidas provisoriamente na antiga residência de estudantes por falta de condições de habitabilidade imediata.
Os danos estendem-se a infraestruturas públicas, propriedades privadas e explorações agrícolas em todas as freguesias do concelho. Embora esteja em curso “um levantamento exaustivo dos danos”, Paulo Silva considera já evidente a dimensão dos prejuízos. “Este é um município que recebe do Estado seis milhões e pouco de euros é o nosso orçamento. Os prejuízos vão ser de centenas de milhares de euros”, referiu, manifestando ainda receio de que a situação “apenas esteja a meio”, face à previsão de continuidade do mau tempo.
A forte precipitação e a saturação dos solos provocaram igualmente cortes em várias estradas municipais e troços da rede viária, condicionando a mobilidade da população, o acesso a localidades e a atividade económica. O município alerta que a interdição de acessos tem prejudicado os produtores engarrafadores, impedidos de receber e expedir mercadorias, com impactos diretos na economia local. Registaram-se ainda “várias situações de cheia” nas zonas ribeirinhas do Douro durante a manhã.
Perante este cenário, o autarca apelou ao Governo para que reavalie “com urgência” a situação de Mesão Frio e do distrito, atualmente excluídos dos apoios estatais anunciados para resposta às intempéries, defendendo que o concelho seja incluído “nos mecanismos de apoio e compensação, de forma justa e proporcional aos danos já registados e aos que vierem a surgir”, numa referência à aproximação da depressão Marta, que deverá trazer mais chuva e vento.
Recorde-se que o Governo prolongou até dia 15 a situação de calamidade em 68 concelhos, abrangidos por um pacote de medidas de apoio que pode atingir 2,5 mil milhões de euros.
Entretanto, o município informou ter comunicado à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) o ponto de situação dos estragos nas explorações agrícolas e garante que, através dos serviços municipais e da Comissão Municipal de Proteção Civil, mantém uma intervenção permanente no terreno, assegurando a reposição de condições mínimas de segurança, a sinalização de zonas de risco e o apoio às populações afetadas.
A redação com Lusa
Fotos: DR

























