O Dia de Dia de São Valentim, a 14 de fevereiro, continua a ser uma das datas mais marcantes para o comércio local, sobretudo no setor da restauração. Apesar do aumento do custo de vida, vários estabelecimentos registam uma afluência significativa, confirmando que a tradição de celebrar a dois permanece viva.
Numa creparia/gelataria de Vila Real, a trabalhadora Sandra Aguiar descreve o dia como um dos mais movimentados do ano. “Neste dia a afluência costuma ser muito forte. Temos tido muitos casais neste dia, já no ano passado tivemos uma grande afluência mesmo”, refere.
Segundo a funcionária, os doces continuam a ser protagonistas da celebração. “Há muitos casais que vêm aqui para comer, principalmente neste dia, os crepes com os morangos e com a Nutella.” Para Sandra, os sabores tradicionais mantêm o simbolismo associado à data: “Chocolate, morangos, sim, sem dúvida.”
A funcionária destaca ainda momentos que tornam o dia especial para quem trabalha no setor. “Pedem-nos muitas vezes até para fazer pedidos de namoro, também já aconteceu, desenharmos nas tábuas.” O ambiente também se distingue dos restantes dias do ano. “Sentimos que está tudo muito amoroso, sentimos que os casais vêm muito para lanchar mesmo só os dois, para trocar carinhos.”
Quanto aos números, estima que, só naquele espaço, possam passar “cerca de 20 e poucos, 35 casais” ao longo do dia, sublinhando que “em termos de casais, sim, é bastante” superior à média habitual. A preparação começa com antecedência: “A nível de decoração é com antecedência, não no dia.”
Num café/restaurante noutra zona da cidade, a perceção é semelhante quanto à importância da data, ainda que a afluência varie consoante a localização. “Nesta parte da cidade, penso que não se vê tanto. Vê-se mais é para a parte da câmara municipal”, explica o proprietário entrevistado, Bruno Tavares.
Ainda assim, confirma que a tradição se mantém. “Casais, grupo de dois casais, uns amigos que se juntam a casais e por aí.” Questionado sobre o impacto do aumento do custo de vida, considera que os clientes continuam a assinalar a data fora de casa: “Acho que continua a tradição, porque há vários restaurantes lotados e os preços não são assim muito acessíveis.” Sobre a possibilidade de alguns estabelecimentos aumentarem os valores nesta data, admite que o aumento do custo neste dia é “um bocado notório.”
Os símbolos associados ao Dia de São Valentim também permanecem inalterados ao longo dos anos. “Acho que se mantém. Começam a dar flores, ramos, ursos, presentes, por aí fora.”
São várias as pessoas que notam a afluência nestes dias, marcada por mão dadas e trocas de carinho em público, Francisca Fernandes e Bruno Santos, namoram há pouco mais de meio ano e conheceram-se numa aula de italiano, pelo que este primeiro dia dos namorados “é especial” referem. O par concorda com a opinião comum de que é “notório que se vê mais casais na rua neste dia”.
Em concordância, outro testemunho, de Luís Cardoso, refere que “não só a nível de estabelecimentos, mas também na rua, costuma-se ver mais casais”, e que embora o custo de vida tenha aumentado a tradição de sair para comer fora é “sem dúvida notória e é difícil arranjar um restaurante para hoje à noite. As pessoas veem este dia como uma desculpa para sair da rotina. Neste dia o amor não tem preço” brinca. No entanto considera ser “normal que os restaurantes se estiquem um bocadinho neste dia, porque muitos utilizam este dia para sair”.
Por sua vez, o pai do anterior entrevistado, Carlos Cardoso, casado há mais de 24 anos, com uma opinião distinta considera que “o segredo para ter uma boa relação é a paciência e condescendência”, não sendo necessário uma data específica para celebrar o sentimento, encarando o São Valentim como “folcore”.
Entre visões diferentes acerca do dia, celebrado a 14 de fevereiro, o Dia de São Valentim tem vindo a consolidar-se em Portugal como uma data dedicada aos namorados, marcada por jantares românticos, trocas de presentes e momentos a dois. Em cidades como Vila Real, o comércio local continua a beneficiar da ocasião, especialmente no setor da restauração e pastelaria.
Apesar do contexto económico desafiante, os testemunhos recolhidos mostram que muitos casais continuam a optar por sair da rotina, mantendo viva uma tradição que alia romantismo, gastronomia e convívio. Entre vários símbolos associados ao dia mais romântico do ano a mensagem parece clara: pelo menos por um dia, o amor continua a ter lugar reservado à mesa.
Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR



















