O lar da Santa Casa da Misericórdia de Mirandela, destruído parcialmente por um incêndio em agosto de 2025 que provocou a morte de sete utentes, está totalmente requalificado e aguarda apenas a vistoria final para retomar atividade.

Em declarações, o provedor João Matias adiantou que as obras estão concluídas há cerca de duas semanas, faltando apenas a avaliação das medidas de autoproteção por parte da Proteção Civil e a respetiva inspeção no local. Este procedimento é indispensável para que a Segurança Social autorize a reabertura da estrutura residencial.

O incêndio ocorreu no lar Bom Samaritano, alegadamente causado por um curto-circuito num colchão anti-escaras. Apesar de as chamas terem ficado confinadas a um único piso, a gravidade do incidente obrigou a uma intervenção profunda em toda a infraestrutura, incluindo a substituição de equipamentos e a introdução de novas soluções de segurança.

Entre as melhorias implementadas, destacam-se a instalação de portas corta-fogo nos quartos e o reforço das condições de evacuação. A obra, inicialmente prevista para estar concluída no final de 2025, sofreu atrasos devido a constrangimentos logísticos, nomeadamente na produção e entrega de materiais especializados.

O investimento total ultrapassou os 200 mil euros, suportado integralmente pela instituição. No entanto, o provedor admite a possibilidade de recuperação parcial desse montante através de indemnizações de seguros, processo que permanece pendente enquanto decorrem averiguações conduzidas pela Polícia Judiciária e pelo Ministério Público.

À data do incêndio, o lar acolhia 89 utentes. Após a tragédia, os sobreviventes foram redistribuídos por outras valências da instituição.

Paralelamente, a Misericórdia de Mirandela prepara-se para lançar um concurso público destinado à construção de uma rampa de emergência no lar de Santa Ana. A intervenção, orçada entre quatro a cinco mil euros, visa garantir o cumprimento das normas de segurança exigidas pela Câmara Municipal de Mirandela para a emissão de licença especial de utilização.

Segundo João Matias, a ausência dessa infraestrutura não compromete o funcionamento atual do equipamento, que acolhe cerca de 40 utentes, mas é essencial para assegurar condições adequadas de evacuação em situações de emergência.

Com a reabertura iminente, a instituição procura agora virar a página de um dos episódios mais trágicos da sua história recente, reforçando os padrões de segurança e a confiança da comunidade.

A Redação com Lusa

Foto: DR

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