O ministro da Administração Interna, Luís Neves, lançou esta quarta-feira um aviso contundente sobre o risco de incêndios rurais em Portugal, apelando a uma mobilização urgente de cidadãos, autarquias e entidades públicas para evitar um cenário que classificou como um “verão terrível”.

A declaração foi feita na Guarda, à margem da inauguração do novo Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil das Beiras e Serra da Estrela, onde o governante sublinhou que o país enfrenta “fatores novos, extraordinários e negativos” que agravam o risco de fogos florestais nos próximos meses.

“Pode ser muito difícil. O tempo de preparação é agora”, afirmou, defendendo que a antecipação será decisiva para mitigar os impactos.

Mais combustível e acessos comprometidos agravam risco

Entre os principais fatores de preocupação está o aumento significativo de biomassa resultante das chuvas intensas dos últimos meses. Segundo o ministro, há mais vegetação para limpar e milhões de árvores caídas que funcionam como combustível adicional.

A situação é agravada por acessos ainda comprometidos: várias estradas e caminhos rurais permanecem obstruídos, o que poderá dificultar operações de combate e socorro em cenários de incêndio.

Responsabilidade partilhada, com limites legais

O governante dirigiu um apelo direto aos proprietários privados, destacando a necessidade de limpeza de terrenos, sobretudo nas imediações de habitações e edifícios.

Apesar da urgência, reconheceu constrangimentos legais: o Estado continua limitado no acesso a propriedades privadas, mesmo perante riscos evidentes. Embora tenha sido recentemente aprovada legislação que flexibiliza essa atuação, o ministro frisou que o direito à propriedade, consagrado constitucionalmente, impõe limites à intervenção pública.

Reforço de meios e papel das Forças Armadas

Para a época de incêndios deste ano, o executivo promete um reforço de meios, com destaque para o envolvimento das Forças Armadas, sobretudo na disponibilização de equipamentos pesados, uma colaboração que o ministro classificou como “absolutamente singular” e com potencial de continuidade.

Também os municípios e juntas de freguesia foram destacados pelo contributo “inestimável” na preparação do território.

Antecipação inédita no combate aos incêndios

Uma das novidades apontadas é a antecipação das operações de prevenção. Pela primeira vez, estruturas tradicionalmente focadas no combate direto aos incêndios estão a atuar meses antes, concentrando esforços na limpeza e identificação de riscos.

Neste contexto, o ministro destacou o papel do Comando Integrado de Prevenção e Operações (CIPO), criado após as tempestades que atingiram o país no início do ano.

Nos 22 concelhos abrangidos, foram identificados cerca de 10 mil quilómetros de estradas, caminhos e faixas de gestão de combustível a necessitar de intervenção. Em apenas uma semana, três mil quilómetros já foram limpos, um avanço que o governante considera “muito relevante” para a eficácia futura dos bombeiros e das operações de socorro.

“Um combate de todos”

A mensagem final foi clara: o sucesso na resposta aos incêndios dependerá de uma ação coletiva.

“O combate aos incêndios é um combate de todos”, afirmou o ministro, insistindo na necessidade de vigilância, limpeza e sinalização de riscos por parte de toda a sociedade.

Com o verão ainda por começar, o Governo aposta na prevenção como principal arma para evitar uma época crítica, mas o cenário traçado pelo ministro deixa claro que o tempo para agir é agora.

A Redação com Lusa

Foto: DR

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