A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro assegurou ontem que reúne “todas as condições” para avançar já em setembro com o novo curso de Medicina, um projeto considerado estratégico para a região e que poderá representar um investimento global de cerca de 25 milhões de euros ao longo dos próximos cinco anos.
A garantia foi deixada pelo reitor interino da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Jorge Ventura, que destacou a importância do novo Mestrado Integrado em Medicina para o reforço dos cuidados de saúde em Trás-os-Montes e Alto Douro e para o próprio Serviço Nacional de Saúde.
“O curso é fundamental para a região”, sublinhou o responsável, salientando o impacto que a formação de médicos poderá ter na resposta assistencial do território e na fixação de profissionais de saúde no interior do país.
O curso, que recebeu acreditação condicionada por dois anos da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior em novembro passado, arrancará com 40 vagas e terá uma forte componente prática e tecnológica, assente num modelo de ensino personalizado e centrado no estudante.
Para acolher as atividades letivas iniciais foi escolhido o edifício da Biblioteca Central da UTAD, em Vila Real, onde já foram equipadas quatro salas dedicadas a metodologias de aprendizagem baseada em problemas e em casos clínicos. Está ainda em preparação uma sala de realidade imersiva com recurso a realidade virtual e aumentada, destinada a reforçar a componente experimental da formação médica.
Paralelamente, encontra-se em fase final o concurso internacional para aquisição de equipamento destinado ao futuro centro de simulação médica, um investimento de 1,7 milhões de euros que será instalado na ULSTMAD. Parte significativa deste montante será aplicada precisamente na nova sala imersiva.
Segundo Jorge Ventura, o equipamento deverá estar entregue até ao final de agosto, embora a sua utilização seja residual no primeiro ano letivo, o que afasta riscos para o arranque do curso.
A aposta da universidade passa também pela criação de um verdadeiro “cluster da saúde”, através da construção de um novo edifício de raiz, já projetado e estimado em cerca de 10 milhões de euros, aguardando apenas financiamento. O futuro espaço deverá acolher não só Medicina, mas também outros cursos ligados às ciências da saúde, como Enfermagem, Ciências Biomédicas e Engenharia Biomédica.
O projeto prevê ainda a criação de um modelo de “ULS universitária”, reforçando a ligação entre ensino, investigação e prática clínica. Nesse sentido, está já em curso a formação de cerca de 50 médicos da ULSTMAD, alguns dos quais avançarão para programas de doutoramento, uma das exigências da acreditação atribuída pela A3ES.
As aulas irão decorrer tanto na UTAD como nos hospitais de Vila Real, Chaves e Lamego, integrando ainda uma forte componente de proximidade aos cuidados de saúde primários.
Nesse âmbito, foram assinados protocolos com 21 municípios da área de influência da ULSTMAD, assegurando alojamento e alimentação aos estudantes durante períodos de estágio em Unidades de Saúde Familiar. A medida pretende fomentar a integração dos futuros médicos na região e incentivar a sua fixação em territórios do interior.
Neste momento decorre já a organização dos horários, da planificação letiva e da distribuição do serviço docente, enquanto a universidade prepara também a criação de um novo Departamento de Educação Médica.
Entre obras, equipamentos, formação especializada e contratação de recursos humanos, o investimento global poderá atingir os 25 milhões de euros em cinco anos, financiados através de verbas próprias e apoios externos.
A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro já apresentou ao Ministério da Educação a proposta de contrato-programa que sustentará o projeto, documento que deverá ser formalizado pelo próximo reitor da instituição, cuja eleição está marcada para 29 de junho.
A Redação com Lusa
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