O julgamento de Humberto Gama, antigo sacerdote conhecido durante décadas como “padre Gama”, arrancou esta terça-feira no Tribunal de Vila Real, à porta fechada, por decisão do coletivo de juízes responsável pelo processo, devido à natureza dos crimes em causa, entre os quais violação e coação sexual.

O arguido, de 82 anos, responde perante a justiça por um conjunto de crimes graves alegadamente praticados sob o pretexto de rituais de exorcismo. Além de um crime de violação agravada e um crime de coação sexual, Humberto Gama está também acusado da prática, em concurso real, de um crime de burla qualificada e de usurpação de funções na forma continuada.
Antes de entrar no tribunal, o ex-sacerdote confirmou aos jornalistas que iria prestar declarações logo no início da audiência.
O caso remonta a dezembro de 2021, quando o antigo padre foi detido pela Polícia Judiciária por suspeitas de violação de uma mulher de 47 anos. Após ser presente a primeiro interrogatório judicial, ficou em prisão preventiva, medida de coação que viria a ser revogada em abril de 2022, tendo passado desde então a aguardar julgamento em liberdade.
Segundo a acusação do Ministério Público, Humberto Gama terá continuado, durante décadas, a apresentar-se publicamente como sacerdote e exorcista, apesar de ter sido excomungado pela Igreja Católica em 1979. A investigação sustenta que o arguido recorria à autoridade espiritual e religiosa que ainda mantinha junto de seguidores para exercer influência sobre pessoas em situação de fragilidade emocional e psicológica.
O processo centra-se numa denúncia apresentada por uma mulher que acusa o antigo sacerdote de a ter violado durante uma alegada sessão de exorcismo realizada em Murça. De acordo com o Ministério Público, o arguido terá usado práticas de manipulação espiritual para controlar a vítima e criar um contexto de submissão psicológica.
A dimensão mediática do julgamento intensificou-se devido ao histórico controverso do chamado “padre Gama”, figura amplamente conhecida em Trás-os-Montes pelas alegadas práticas de cura espiritual, exorcismos e aconselhamento religioso fora da estrutura oficial da Igreja Católica.
A excomunhão decretada em 1979 constituiu, à época, uma decisão rara e de forte impacto público. Ainda assim, Humberto Gama continuou ao longo de décadas a receber pessoas que o procuravam em busca de respostas para problemas de saúde, perturbações emocionais e fenómenos considerados sobrenaturais.
O julgamento prossegue no Tribunal de Vila Real ao longo das próximas semanas e deverá ouvir várias testemunhas e intervenientes processuais. A segunda sessão está já agendada para 19 de maio.
O caso volta a colocar sob escrutínio temas como a manipulação espiritual, o abuso de confiança em contextos religiosos e a vulnerabilidade de pessoas em situações de fragilidade emocional, num processo que promete continuar a gerar forte atenção pública e mediática.

A Redação
Foto: DR

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