Município avança com projeto-piloto de prevenção e reforço operacional no combate a fogos florestais, após os impactos do grande incêndio de agosto no concelho e no Parque Natural do Douro Internacional.

O município de Freixo de Espada à Cinta iniciou a identificação, no terreno, de pontos estratégicos de abastecimento de água destinados ao apoio de meios aéreos em caso de incêndios rurais e florestais, no âmbito de uma nova estratégia de prevenção e resposta operacional aos fogos.
Tal como o presidente da Câmara Municipal, Nuno Ferreira, explicou que está em curso um projeto-piloto que visa a criação de uma rede estruturada de reservas de água, capazes de reforçar a eficácia do combate a incêndios no concelho e na região envolvente.
“Já contactámos proprietários a nível particular, que aceitaram integrar esta rede. Foram já identificados dois depósitos de grande capacidade e vamos avançar, em breve, com uma candidatura para alargar esta iniciativa a mais reservatórios”, adiantou o autarca.
O projeto assenta numa lógica de cooperação entre o município e proprietários privados, prevendo que, em contrapartida pela integração dos seus reservatórios na rede, a autarquia assegure a limpeza dos terrenos envolventes. No caso de utilização da água em operações de combate a incêndios, será igualmente garantida a reposição dos níveis utilizados.
Segundo Nuno Ferreira, esta medida integra um plano mais amplo de prevenção e planeamento operacional, desenvolvido pelo Gabinete de Proteção Civil Municipal em articulação com os bombeiros e outras entidades, tendo em conta a vulnerabilidade do território aos incêndios rurais.
Para além da criação desta rede de pontos de abastecimento de água para meios aéreos, o município está também a proceder à limpeza e abertura de cerca de 20 quilómetros de caminhos rurais, com o objetivo de melhorar o acesso das equipas de combate, reforçar a capacidade de primeira intervenção e aumentar a proteção das populações e do território florestal.
O autarca recorda ainda o impacto do incêndio registado a 15 de agosto na zona de Poiares, que rapidamente se alastrou aos concelhos vizinhos de Torre de Moncorvo e Mogadouro, atingindo áreas agrícolas, florestais e infraestruturas rurais, com consequências significativas no Parque Natural do Douro Internacional.
De acordo com dados do Sistema de Gestão de Informação de Incêndios Florestais (SIGF), o fogo terá consumido cerca de 11.697 hectares, deixando uma extensa área de destruição em pastagens, olivais, amendoais, vinhas, laranjais, colmeias e equipamentos agrícolas.
É neste contexto que a autarquia justifica o reforço das medidas de prevenção, sublinhando a necessidade de retirar lições dos acontecimentos recentes e de apostar numa estratégia integrada de proteção civil e gestão do território.
Com este projeto, Freixo de Espada à Cinta procura reforçar a capacidade de resposta no combate aos incêndios e aumentar a resiliência do território face a fenómenos extremos cada vez mais frequentes.

Jornalista: Paulo Silva Reis com Lusa
Foto: DR

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