Um novo movimento cívico acaba de surgir no Nordeste Transmontano com o objetivo de contestar a instalação de grandes parques eólicos e fotovoltaicos na região. Designada Plataforma Nordeste Vivo – Movimento Cívico pelo Território do Nordeste Transmontano, a estrutura reúne 25 cidadãos ligados a diferentes setores de atividade e promete assumir-se como uma voz ativa na defesa do território, das populações e dos recursos naturais.

A apresentação pública do movimento marca o início de uma mobilização que pretende acompanhar de perto os projetos energéticos previstos para a região, nomeadamente os processos de hibridização associados às barragens de Picote, Bemposta, Baixo Sabor e Foz Tua, para os quais foram anunciados investimentos em centrais eólicas e fotovoltaicas de grande dimensão.
Segundo José Jambas, um dos membros da plataforma, o movimento nasce da preocupação crescente de vários setores da sociedade civil perante aquilo que considera ser uma falta de informação e de envolvimento das comunidades locais nos processos de decisão.
“A Plataforma Nordeste Vivo avança como um movimento cívico, apartidário, composto por diversos representantes da sociedade civil, unidos por um objetivo comum: a defesa intransigente do território do Nordeste Transmontano e da qualidade de vida das populações locais”, afirmou.
Entre os membros da plataforma encontram-se representantes das áreas do turismo, ambiente, hotelaria, agricultura, pecuária, associativismo e técnicos especializados de diferentes setores económicos. O grupo defende que os projetos de produção energética devem ser debatidos de forma transparente e com participação efetiva das populações potencialmente afetadas.
Os promotores do movimento garantem não estar contra a transição energética nem contra o desenvolvimento de energias renováveis, mas manifestam oposição àquilo que classificam como uma “industrialização do território” sem a devida ponderação dos impactos ambientais, sociais e económicos.
Para a Plataforma Nordeste Vivo, o Nordeste Transmontano não pode ser encarado como um espaço disponível para a instalação indiscriminada de infraestruturas energéticas. Os responsáveis defendem que a região possui um património natural, agrícola, paisagístico e cultural que constitui um dos seus principais ativos estratégicos.
Entre as preocupações apontadas pelo movimento estão os possíveis impactos sobre a agricultura, a pecuária, a caça, a apicultura e o turismo de natureza, setores que consideram fundamentais para a sustentabilidade económica da região. A plataforma alerta ainda para eventuais consequências na qualidade de vida das populações, na ocupação de solos agrícolas e na preservação dos ecossistemas locais.
Os representantes do movimento sublinham também que o Nordeste Transmontano já desempenha um papel relevante na produção energética nacional, acolhendo há décadas várias infraestruturas ligadas ao setor, razão pela qual defendem uma avaliação rigorosa de novos investimentos desta natureza.
Entre as principais reivindicações da Plataforma Nordeste Vivo estão a exigência de maior transparência nos processos de licenciamento, a realização de estudos de impacto ambiental independentes e acessíveis ao público e o envolvimento efetivo das comunidades locais nas decisões que possam alterar profundamente o território.
A criação deste novo movimento cívico surge num momento em que o debate sobre a expansão das energias renováveis ganha crescente relevância em Portugal, colocando em confronto a necessidade de acelerar a transição energética e a defesa dos territórios rurais que acolhem grande parte destas infraestruturas.
Com a sua constituição formal, a Plataforma Nordeste Vivo assume a intenção de acompanhar os processos em curso e de intervir no debate público, procurando influenciar decisões que poderão marcar o futuro do Nordeste Transmontano nas próximas décadas.

Jornalista: Paulo Silva Reis com Lusa
Foto: DR

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