A “Chaves Mais” apresentou esta terça-feira um balanço da sua atividade política no município, assumindo-se como uma oposição “responsável, exigente e propositiva”, capaz de fiscalizar o executivo socialista sem abdicar da apresentação de soluções para os desafios do concelho.

Na conferência de imprensa realizada na sede do PSD, liderada pelo presidente da Concelhia, Nelson Montalvão, os vereadores Marcelo Delgado e Joaquim Tomaz destacaram o trabalho desenvolvido desde o início do mandato, sublinhando que a sua atuação tem sido pautada pela independência de critérios, pelo rigor técnico e pela defesa intransigente dos interesses dos flavienses.

“A democracia faz-se de pluralismo, diversidade de pensamento e capacidade de diálogo”, defenderam, recordando que votaram favoravelmente propostas do executivo quando entenderam que serviam o interesse público, abstiveram-se quando existiam reservas e votaram contra sempre que consideraram que as decisões não estavam suficientemente fundamentadas.

Mas o balanço político apresentado foi muito além da fiscalização. A coligação procurou afirmar-se como portadora de uma visão alternativa para Chaves, assente em três grandes eixos: inclusão social, desenvolvimento sustentável e modernização das políticas municipais.

Entre as iniciativas já apresentadas, destaca-se a proposta de criação do Conselho Municipal do Desporto de Chaves, concebido como um órgão consultivo e estratégico capaz de reunir clubes, escolas, associações, agentes de saúde e entidades públicas na definição de uma política desportiva integrada.

A proposta, alinhada com o Plano Nacional de Desenvolvimento Desportivo, pretende transformar o desporto num instrumento efetivo de saúde pública, inclusão social e coesão territorial, posicionando Chaves como uma referência regional nesta matéria.

Outra das bandeiras assumidas pela coligação é a criação do Dia Internacional do Rio Tâmega, a celebrar anualmente a 22 de março. A iniciativa pretende valorizar aquele que considera ser um dos maiores símbolos naturais e identitários do concelho, promovendo ações de educação ambiental, participação comunitária e cooperação transfronteiriça com entidades portuguesas e espanholas ao longo da bacia hidrográfica.

A inclusão das pessoas com deficiência mereceu igualmente um destaque especial durante o balanço político.

A coligação defendeu a necessidade de transformar Chaves numa cidade verdadeiramente acessível, onde os direitos não dependam da condição física ou sensorial dos cidadãos.

Entre as medidas apresentadas figuram a nomeação efetiva do Provedor Municipal da Pessoa com Deficiência, a correção urgente do piso tátil instalado em vários pontos da cidade, considerado tecnicamente inadequado, a eliminação de barreiras arquitetónicas nos equipamentos culturais e turísticos, incluindo o Museu Nadir Afonso e as Termas de Chaves, bem como a criação de um centro especializado de apoio às famílias e o reforço das condições de inclusão nas escolas do concelho.

“Uma cidade que exclui falha na sua missão primordial: ser de todos e para todos”, sustentaram os eleitos.

A dimensão social do programa da “Chaves Mais” ganhou expressão através da proposta de criação da Rede Municipal de Apoio Domiciliário de Proximidade, destinada a responder aos desafios do envelhecimento populacional, do isolamento e da vulnerabilidade social.

O projeto prevê visitas regulares a idosos e pessoas fragilizadas, apoio social e emocional, transporte solidário, ajuda na aquisição de bens essenciais, contacto permanente com familiares ausentes e o desenvolvimento da aplicação digital “+Perto”, destinada a reforçar a monitorização e a proximidade entre utentes, famílias e serviços municipais.

A iniciativa pretende complementar, e não substituir, as respostas do Serviço Nacional de Saúde, apostando numa intervenção humana e preventiva centrada na dignidade da pessoa.

Mas foi no capítulo da fiscalização política que a coligação apresentou algumas das críticas mais contundentes ao executivo liderado pelo Partido Socialista.

Os vereadores votaram contra a proposta de aceitação da denominada dação em solvendo do Estádio do Vidago Futebol Clube ao Município de Chaves, considerando existirem dúvidas jurídicas, financeiras e patrimoniais relevantes.

Na extensa declaração de voto apresentada, os eleitos apontam falta de fundamentação quanto ao interesse público da operação, ausência de esclarecimentos sobre o destino futuro do imóvel, indefinição sobre os custos de manutenção e reservas quanto à própria qualificação jurídica do mecanismo utilizado.

A coligação entende ainda que o município deveria aguardar pelas conclusões da investigação em curso da Inspeção-Geral de Finanças (IGF) antes de tomar uma decisão com efeitos patrimoniais permanente.

Apesar das críticas, os vereadores fizeram questão de sublinhar que a sua posição não representa qualquer hostilidade para com o Vidago Futebol Clube.

Pelo contrário, reconheceram o papel histórico da instituição na formação desportiva e na coesão social do concelho, defendendo que o clube “merece uma solução digna da sua história” e não uma decisão que possa significar a perda definitiva da sua identidade e da sua casa.

Ao fazer o balanço dos primeiros seis meses de atividade, a “Chaves Mais” procurou afirmar-se não apenas como força fiscalizadora, mas como alternativa política credível para o futuro do concelho.

Entre propostas para apoiar os mais vulneráveis, defender o ambiente, promover o desporto, reforçar a inclusão e exigir maior rigor na gestão dos recursos públicos, a coligação deixa uma mensagem clara: a oposição não se esgota na crítica. Faz-se também de ideias, propostas e da ambição de construir um concelho mais justo, mais participativo e preparado para responder aos desafios das próximas décadas.

“Chaves tem todas as condições para ser uma referência regional. O que falta é transformar intenções em decisões e discursos em ação”, concluem os vereadores, apelando a que as grandes causas do concelho sejam colocadas acima das diferenças partidárias, em nome da dignidade e da qualidade de vida dos flavienses.

Jornalista: Paulo Silva Reis

Foto: DR

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