O fado voltou a afirmar-se como uma das mais profundas expressões da identidade portuguesa e encontrou, ontem, em Montalegre, um palco à altura da sua grandeza. O concerto de Raquel Tavares, integrado nas celebrações do Dia do Município 2026, esgotou por completo o Auditório Municipal, proporcionando uma noite marcada pela emoção, pela autenticidade e pela celebração da cultura nacional.

Perante uma sala completamente preenchida, a fadista conduziu o público numa viagem intensa pelos sentimentos que definem o fado: a saudade, a paixão, a esperança e a memória coletiva de um povo que encontra na música uma das suas mais genuínas formas de expressão.
Entre aplausos demorados e momentos de profundo silêncio, em que a voz de Raquel Tavares parecia suspender o tempo, o espetáculo revelou-se muito mais do que um simples concerto. Foi um encontro entre tradição e contemporaneidade, capaz de unir diferentes gerações em torno de um património cultural que continua vivo e a reinventar-se.
Uma das notas mais marcantes da noite foi precisamente a forte presença de público jovem, demonstrando que o fado mantém intacta a capacidade de tocar novos públicos sem perder a sua essência. Num auditório rendido ao talento da intérprete, cada tema foi recebido com entusiasmo, transformando o encerramento das festividades municipais num dos momentos culturais mais memoráveis do ano em Montalegre.
A presidente da Câmara Municipal, Fátima Fernandes, considerou que a enorme adesão do público era reflexo natural da qualidade artística da fadista.
“A Raquel Tavares é uma voz portentosa, conhecida de todos, e por isso tínhamos a certeza de que iria proporcionar um concerto do agrado de muitos. Tivemos o auditório repleto numa celebração que não tem apenas a ver com a identidade barrosã, mas também com a nossa identidade enquanto povo”, afirmou.
A autarca destacou o simbolismo particular desta escolha artística, numa altura em que o país se preparava para assinalar o Dia de Portugal.
“O fado tradicional é uma manifestação cultural do nosso país e, uma vez que amanhã se celebra o Dia de Portugal, assinalámos de forma antecipada esta nossa nacionalidade, esta cultura e esta maneira de ser e estar”, sublinhou.
Fátima Fernandes recordou ainda que o fado é uma das mais relevantes manifestações do património imaterial português, celebrando não apenas a música, mas também a língua e os intérpretes que a elevam.
“Trata-se de uma manifestação artística que celebra a língua, a música e os intérpretes, e julgamos que foi um excelente encerramento para as comemorações do nosso feriado”, acrescentou.
Para além da dimensão simbólica, a presidente da autarquia reafirmou o compromisso do município em democratizar o acesso à cultura e em garantir que os habitantes do concelho possam usufruir de iniciativas de elevada qualidade artística sem necessidade de procurar nos grandes centros urbanos aquilo que também pode acontecer em território barrosão.“Continuamos a celebrar aquilo que somos e a trabalhar todos os dias para que as oportunidades que existem nos grandes centros sejam também aquelas que temos na nossa terra, porque temos muitos motivos de orgulho”, concluiu.
O concerto de Raquel Tavares encerrou, assim, as comemorações do Dia do Município de Montalegre com casa cheia e uma certeza partilhada por todos os presentes: a cultura continua a ser um dos mais fortes instrumentos de afirmação da identidade coletiva.
Numa terra profundamente ligada às suas raízes, o fado encontrou eco na alma barrosã e deixou a marca de uma noite inesquecível, onde a música uniu gerações, celebrou Portugal e recordou que o orgulho de um povo também se canta.

Jornalista: Paulo Silva Reis
Fotos: DR

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