A greve dos trabalhadores dos Registos e do Notariado continua a ter forte impacto em Trás-os-Montes, com várias conservatórias encerradas e serviços condicionados em diversos concelhos da região. No terceiro dia da paralisação, o Sindicato dos Trabalhadores dos Registos e do Notariado (STRN) apontou para uma adesão nacional de 83,67%, refletindo-se de forma significativa nos distritos de Bragança e Vila Real.
No distrito de Bragança, permaneceram encerradas a Conservatória do Registo Civil, Predial e Automóvel de Mirandela e as Conservatórias do Registo Civil, Predial e Comercial de Miranda do Douro, Vimioso, Torre de Moncorvo, Freixo de Espada à Cinta, Macedo de Cavaleiros e Mogadouro, deixando milhares de utentes sem acesso aos serviços habituais.
A paralisação insere-se num protesto nacional convocado pelo STRN, que denuncia a falta de recursos humanos e o agravamento das condições de funcionamento dos serviços de registo. Segundo o sindicato, a escassez de profissionais tem vindo a comprometer a capacidade de resposta dos serviços, afetando processos relacionados com registos civis, prediais e comerciais, bem como pedidos de nacionalidade, identificação civil e constituição de empresas.
A estrutura sindical alerta para a existência de uma carência de milhares de trabalhadores a nível nacional e acusa o Governo de não avançar com medidas suficientes para inverter a situação. Entre as principais reivindicações está a implementação de um plano de recrutamento extraordinário que permita reforçar os quadros e garantir a continuidade dos serviços públicos.
Em Trás-os-Montes, os efeitos da greve têm sido particularmente sentidos pelos cidadãos que necessitam de tratar de documentação urgente, realizar escrituras, registos ou outros atos administrativos dependentes das conservatórias. O encerramento de vários serviços obrigou ao adiamento de procedimentos e aumentou a pressão sobre os serviços que permaneceram em funcionamento.
O STRN considera que a atual situação resulta de anos de desinvestimento no setor e alerta para o risco de agravamento dos constrangimentos caso não sejam adotadas medidas estruturais para reforçar os recursos humanos.
A greve prolonga-se até ao próximo dia 13 de junho, mantendo-se a expectativa quanto a uma eventual resposta do Governo às reivindicações apresentadas pelos trabalhadores.
Jornalista: Maria Inês Pereira
Foto: DR

















