Uma visita de trabalho acabou por ganhar contornos de arruada improvisada na manhã fria desta terça-feira, em Chaves, quando André Ventura, candidato presidencial, se deslocou a uma fábrica de madeiras situada na zona industrial da cidade.
Apesar da intenção declarada de evitar iniciativas de campanha mais tradicionais, devido às condições meteorológicas adversas, a campanha acabou por ir ao encontro do candidato.
A ação tinha como objetivo sublinhar a ideia de que “o país continua a funcionar” e que “a economia não para”, mesmo em contexto de incerteza. No entanto, após cerca de dez minutos de visita às instalações e de explicações prestadas pelo diretor de produção da empresa, André Ventura viu-se rodeado por algumas dezenas de apoiantes que o aguardavam junto a uma das entradas da unidade fabril.
Perante os aplausos e os gritos de incentivo, o candidato acabou por se dirigir ao grupo, dando início a um contacto direto que rapidamente ganhou a dimensão de uma pequena arruada. Entre apertos de mão, beijos e pedidos de fotografias, o ambiente tornou-se mais agitado, numa mistura de entusiasmo popular e pressão mediática.
A concentração de câmaras e jornalistas em torno de André Ventura gerou momentos de tensão, com protestos dirigidos à comunicação social, em particular por parte de uma apoiante que, em voz exaltada, exigia que os repórteres se afastassem. O candidato interveio, procurando apaziguar os ânimos: “Vocês sabem o que eu acho do trabalho dos senhores jornalistas, mas eles estão aqui a cobrir uma campanha eleitoral e estão a fazer o seu trabalho”, afirmou.
Ainda assim, a mesma apoiante insistiu nas críticas, sublinhando que o apoio popular era determinante para o percurso político do candidato. Ventura voltou a responder, apelando ao respeito pelas regras democráticas: “Temos que deixar fazer o trabalho deles, porque em democracia é assim”. O episódio terminou com palavras de apoio dirigidas ao candidato, num tom que o deixou visivelmente desconfortável.
Durante o contacto com os apoiantes, ouviram-se várias palavras de ordem, como “Até os comemos!”, “Isto é só ladrões!” e “A mama vai acabar”, enquanto André Ventura continuava a circular junto à fábrica, num momento que contrastou com a intenção inicial de uma ação discreta e contida.
O episódio em Chaves acabou por ilustrar a dificuldade do candidato em afastar-se da campanha de proximidade, mesmo quando a agenda aponta para iniciativas mais reservadas, mostrando que, pelo menos neste caso, foram os apoiantes a ditar o ritmo da campanha.
A Redação, com Lusa
Fotos: DR


































