Já começou o ano letivo 2023/2024 da Universidade Sénior do Rotary Clube de Mirandela e a Junta de Freguesia disponibilizou transporte gratuito para quem necessitar.

Para integrar esta universidade sénior não são exigidas habilitações específicas. Todos os que tenham mais de 50 anos, aposentados, ou que disponham de tempo livre e queiram continuar a aprender e participar num grupo de discussão, podem inscrever-se.

Para já, estão inscritos cerca de quatro dezenas de alunos, mas as inscrições continuam abertas. O corpo docente é voluntário e tem sido a pedra basilar deste projeto.

Este ano letivo, também se abre uma nova janela de oportunidade com novas disciplinas. “Temos a parte do exercício físico ligado com a mente, uma atividade que tem essa preocupação com um professor que tem experiência, e temos também uma nova disciplina que é ligada à escrita e à arte, que nos vai permitir ter uma relação muito melhor com a nossa cultura escrita, porque podemos produzir trabalhos, que podem ser até publicados e partilhados”, revela Pedro Beato, da direção da Universidade Sénior

Este projeto, que já leva oito anos, está perfeitamente enraizado e Pedro Beato não tem dúvidas da sua importância para as pessoas mais velhas. “É uma mais-valia, porque quando nós chegamos a uma certa idade, temos um conjunto de experiências fantásticas da nossa vida e isso transporta-se para as aulas, fazem-se poemas, os textos transportam-se para a música, são cantados, etc.”, explica.

“É engraçado a maneira como os pormenores passam a ter uma importância muito interessante na nossa vida, na nossa relação”, sublinha o professor aposentado que adianta outros benefícios da Universidade Sénior: “Melhorarmos o nosso conhecimento e o nosso à vontade, ou com a inglês ou com a informática, são desafios constantes que nos transportam para a atualidade, porque hoje o mundo está muito informatizado. E nós também não ficamos para trás, acabamos por ter uma certa mais-valia, até na comunicação com os nossos familiares mais novos”, acrescenta.

O atual presidente do Rotary Clube de Mirandela (RCM) diz ser “essencial” esta interatividade que é proporcionada pela Universidade Sénior em conjunto com os mais jovens, neste caso o Rotaract e o Interact, também projetos do RCM. “A necessidade de não nos transformarmos todos em viver quase num matrix, em casa, a assistir a novelas ou a informação, muita dela absolutamente inservível, que não nos vai propriamente enriquecer e nos vai manter num estado vegetativo à frente de um ecrã”, refere Francisco Dias.

“Por isso, nós temos as crianças com esse tipo de problemas, temos os mais velhos, nós próprios temos o nosso dia-a-dia quem está ainda nesta parte ativa. Por isso, o Rotary tenta, quer com os projetos, por um lado, o Interact e o Rotaract com os mais jovens, tomem pulso a sociedade que os rodeia, mas também com a Universidade Sénior, que traz aqueles com mais conhecimento, aqueles que nos fizeram chegar aqui e que é muito importante que eles tenham uma oportunidade de continuar a expandir esse seu conhecimento e sermos nós também aqui uma ponte entre estas gerações, que uma não vai conseguir viver bem sem a outra”, acrescenta o líder do RCM.

Também o vereador do Município de Mirandela, Vítor Correia, elogia o papel da Universidade Sénior na comunidade. “Sem dúvida nenhuma que a Universidade Sénior faz aqui um trabalho fundamental neste segmento etário, que é muito importante quando as pessoas já deixam a sua vida ativa e muitas delas, se não fossem para a Universidade Sénior, ficariam em casa”, pelo que Vítor Correia dá os parabéns à direção, porque “combatem aquilo que é o isolamento, que se verifica neste escalão etário e com estas atividades que eles envolvem, com os cavaquinhos, com os clubes de leitura, com as aulas de inglês, de informática, conseguem ter aqui uma atividade e convívio, que é muito importante para fugir das televisões, das novelas, dessas coisas todas”, sustenta.

A Junta de Freguesia de Mirandela também é parceira da Universidade Sénior e o seu presidente sublinha a importância “sobretudo para as pessoas que a frequentam, naquilo que é a valorização da sua capacidade mental e da sua capacidade de fazer de novo no dia-a-dia”, afirma Luís Carlos Soares, que anuncia uma novidade para este ano letivo. “Estamos disponíveis para apoiar no transporte, sobretudo aquelas pessoas que não têm capacidade na mobilidade e dissemos isso à organização e a todos os alunos. Somos parceiros para resolver os problemas dos alunos ou nas dificuldades e que não seja o transporte um problema para a não frequência das aulas”, adianta Luís Soares.

Começou o ano letivo da Universidade do Rotary Clube de Mirandela que funciona na sua sede, na antiga escola primária do Pinheiro.

Jornalista: Fernando Pires

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