O presidente da Associação de Beneficiários do Vale da Vilariça alertou para a necessidade urgente de requalificação da Ribeira da Vilariça, face ao agravamento dos fenómenos de erosão e assoreamento que têm provocado cheias frequentes e elevados prejuízos agrícolas.
Fernando Brás afirmou que o curso de água “vai afundando cada vez mais” devido à erosão, revelando que o pilar da ponte que liga Santa Comba da Vilariça a Vilarelhos já se encontra descalçado “a um metro ou mais da sua base”. No local, condutas do sistema de regadio estão já visíveis, expondo infraestruturas vitais ao risco de colapso.
Segundo o responsável, a acumulação de árvores e detritos no leito da ribeira trava o escoamento natural das águas, potenciando inundações sempre que ocorre uma enxurrada mais intensa. “Cada vez que a ribeira acumula mais detritos, o risco de cheias aumenta”, advertiu, sublinhando que, apesar de este ser um ano atípico em termos de precipitação, o problema é recorrente.
A situação afeta particularmente os agricultores que exploram terrenos nas margens da ribeira, onde os solos são mais férteis. As hortícolas têm sido das culturas mais atingidas. “Há pessoas com prejuízos significativos. Muitos agricultores dependem exclusivamente deste tipo de produção e estão fortemente prejudicados”, frisou Fernando Brás.
Também o agricultor Mário Martins denuncia perdas sucessivas na sua exploração na Horta da Vilariça, apontando o assoreamento como uma das principais causas. “Ninguém limpa a ribeira. As autoridades competentes não ligam e estamos nisto. São prejuízos atrás de prejuízos”, lamentou, exibindo registos fotográficos dos danos verificados nas últimas semanas.
Com cerca de 24 quilómetros de extensão e 30 travessias ao longo do seu percurso, a Ribeira da Vilariça sustenta um importante sistema de regadio que serve o Vale da Vilariça, uma das zonas agrícolas mais férteis do país. Os prejuízos causados pelo mau tempo neste território do Baixo Sabor poderão ultrapassar um milhão de euros, afetando igualmente rodovias, equipamentos públicos, caminhos agrícolas, muros, pomares e plantações hortícolas.
A Associação de Beneficiários defende, por isso, uma intervenção célere de limpeza, desassoreamento e requalificação estrutural do curso de água, alertando que está em causa não apenas a produção agrícola, mas a sustentabilidade económica de toda a região.
A Redação com Lusa
Fotos: DR



















