A suspensão da circulação ferroviária na Linha do Douro entre a Peso da Régua e Pocinho está a gerar forte contestação política e institucional no Douro Superior. O presidente da Câmara de Torre de Moncorvo, José Meneses, acusa o país de continuar marcado por “um Portugal a duas velocidades” e exige respostas rápidas do Governo para minimizar o impacto da interrupção da linha ferroviária.

Numa tomada de posição tornada pública esta sexta-feira e enviada para a redação do Canal N, o autarca considera que a situação ultrapassa a esfera dos transportes e representa um problema estrutural de coesão territorial.
“O que está hoje a acontecer no Douro Superior não é apenas uma questão de transportes. É uma questão de justiça económica e de respeito por um território que tem contribuído decisivamente para a projeção internacional de Portugal”, sublinha.
A ligação ferroviária ao longo do Douro é considerada uma das viagens ferroviárias mais emblemáticas da Europa e constitui um dos principais motores de atração turística para a região, particularmente durante a época das amendoeiras em flor.
Segundo o autarca, a interrupção da circulação entre a Régua e o Pocinho tem efeitos imediatos na economia local. Restaurantes, operadores turísticos, empresas de animação, guias e serviços de transporte sentem uma quebra na procura sempre que a ligação ferroviária é interrompida.
O impacto estende-se também às pequenas economias locais que dependem do fluxo de visitantes atraídos pela viagem ferroviária que liga o Porto ao Douro Superior.

OBRAS CONSIDERADAS NECESSÁRIAS, MAS CRITICADAS PELA GESTÃO

Em causa estão trabalhos de modernização e eletrificação da linha, um investimento estimado em cerca de 165 milhões de euros. O autarca reconhece a importância da obra, mas critica a forma como o processo está a ser conduzido.
Para José Meneses, a modernização da infraestrutura não pode significar, deixar a região durante longos períodos sem uma das suas principais ligações ferroviárias, sobretudo num contexto em que se acumulam interrupções provocadas por obras, condições meteorológicas adversas e constrangimentos operacionais.
Na prática, sublinha, as soluções provisórias baseadas em transporte rodoviário e transbordos acabam por afastar visitantes e reduzir a atratividade turística da região.
O Douro Superior integra a região do Alto Douro Vinhateiro, classificada como UNESCO Património Mundial, e é frequentemente apontado como um dos destinos turísticos mais emblemáticos do interior do país.
Perante este contexto, o presidente da Câmara de Torre de Moncorvo defende que o território não pode continuar a ser tratado como periférico nas decisões de investimento e mobilidade.
“O país não pode continuar dividido entre o Portugal das grandes autoestradas e o Portugal do interior”, afirma.

APELO AO COMPROMISSO POLÍTICO

Na declaração divulgada, José Meneses pede ao Governo maior celeridade na execução das obras e um compromisso político claro com a mobilidade na região.
Para o autarca, garantir uma ligação ferroviária estável e eficiente no Douro Superior é essencial não apenas para a economia local, mas também para assegurar a coesão territorial e o desenvolvimento equilibrado do país.
“O Douro merece mais do que promessas. Merece mobilidade digna, respostas rápidas e respeito por um território que continua a dar muito a Portugal”, conclui.

A Redação,
Fotos: DR

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