A edição de 2026 da Baja TT Norte de Portugal, organizada pela CAMI, continua mergulhada em controvérsia. Depois do furto da moto do piloto Pedro Bianchi Prata no paddock oficial da prova, em Valpaços, surge agora uma nova onda de indignação, desta vez protagonizada pelo piloto transmontano Jorge Conde, que acusa a organização de falta de transparência, desrespeito pelos participantes e incumprimento do regulamento oficial.
A polémica rebentou no encerramento da competição, após Jorge Conde, inscrito na classe Hobby, ter sido excluído da cerimónia de pódio, apesar de o regulamento prever prémios para essa categoria. O piloto, que participou na sua primeira Baja, utilizou as redes sociais para expressar a frustração: “Muitos pagam-lhe para andar de mota e fazer bonito, eu pago para poder andar de mota porque é uma paixão. Depois saio assim retribuído.”
Jorge Conde garante ter pago exatamente o mesmo valor de inscrição que os restantes concorrentes federados, cerca de 600 euros, e considera injustificável a forma como foi tratado pela organização. No primeiro dia de prova, terminou num impressionante 11.º lugar da classificação geral, superando vários pilotos experientes e habituais participantes do Dakar. Contudo, por não possuir licença federativa, foi obrigado a partir da última posição no dia seguinte, numa decisão que gerou forte contestação no paddock.
Segundo o piloto e elementos da sua equipa, a organização terá inicialmente alegado que a classe Hobby não tinha direito a prémio nem a presença em pódio. No entanto, o regulamento oficial da prova indicava claramente a existência de troféus para essa categoria. A situação tornou-se ainda mais embaraçosa quando foi revelado que o prémio destinado à classe Hobby teria sido entregue “por engano” a outra participante.
A sucessão de episódios está a desgastar a imagem da Baja TT Norte e a CAMI em particular, frequentemente promovida como uma das principais provas nacionais de todo-o-terreno. Para muitos participantes, os acontecimentos deste ano expõem falhas graves ao nível da organização, da comunicação e da gestão da competição.
A contestação surge poucos dias depois do mediático furto da Honda CRF 250RX de Pedro Bianchi Prata, desaparecida do paddock oficial durante a madrugada, num espaço apresentado como vigiado e reservado às equipas. O caso levantou dúvidas sobre as condições de segurança garantidas pela organização num evento que reúne centenas de pilotos, viaturas de elevado valor e milhares de visitantes.
Jorge Conde termina com uma frase que resume o sentimento de desilusão vivido após a estreia na prova: “Queria apenas ser respeitado na minha própria cidade e reconhecido pelo esforço que fiz. Esta foi a minha primeira Baja… e será também a última.”
Apesar das polémicas e das notícias que tem vindo a público a CAMI ainda não emitiu qualquer esclarecimento sobre nenhum dos casos.
A Redação
Foto: DR

















