O bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Carlos Cortes, garantiu esta terça-feira que a instituição está empenhada em assegurar que o novo curso de Medicina da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real, arranque “com qualidade e segurança”, formando médicos capazes de responder às necessidades da região e do país.

“Estamos numa fase de grande intensidade para que tudo esteja preparado em setembro. O que a Ordem dos Médicos pretende é que este curso comece bem, garantindo uma formação de qualidade e segurança, para que daqui saiam bons médicos e futuros especialistas que possam servir Portugal e, em particular, Vila Real e toda a área de abrangência da Unidade Local de Saúde”, afirmou o bastonário aos jornalistas.
Carlos Cortes falava após uma reunião com a reitoria da UTAD e a equipa responsável pela implementação do Mestrado Integrado em Medicina, cuja primeira edição abrirá 40 vagas já no próximo ano letivo. O projeto conta com a parceria da Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro (ULSTMAD), que integra três hospitais e presta cuidados de saúde a 21 concelhos da região.
A reunião surge após as reservas manifestadas pela Ordem dos Médicos em abril, quando a instituição alertou para a existência de algumas insuficiências que, na altura, colocavam em causa as condições necessárias para o arranque do curso.
“Tenho de dizer que a avaliação feita pela Ordem dos Médicos mantém-se. Existiam atrasos e preocupações legítimas que, entretanto, foram corrigidos. A intervenção da Ordem teve precisamente esse efeito”, explicou Carlos Cortes, destacando que a OM passou agora a integrar formalmente o processo de acompanhamento da implementação da nova formação.
O bastonário fez questão de esclarecer que a Ordem nunca procurou inviabilizar o projeto. “O curso foi aprovado pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES), a decisão está tomada e essa página está virada”, sublinhou.
Durante a visita à ULSTMAD, Carlos Cortes mostrou-se particularmente impressionado com o potencial da instituição, destacando a qualidade e a dinâmica do seu corpo clínico.
“A ULS de Trás-os-Montes e Alto Douro é uma exceção no contexto nacional. Os hospitais do interior enfrentam habitualmente maiores dificuldades, mas aqui encontramos um corpo clínico relativamente jovem, altamente diferenciado e com inúmeros projetos em desenvolvimento. Não conheço outro hospital com o nível de diferenciação existente em Vila Real”, afirmou.
Na sua perspetiva, estão reunidas as condições para que o curso de Medicina possa funcionar como um motor de desenvolvimento regional, contribuindo para reforçar a atratividade do território e para responder à crescente necessidade de profissionais de saúde.
“A Ordem dos Médicos compreende perfeitamente que este curso é estratégico para a região. A formação médica poderá desempenhar um papel determinante na fixação de profissionais e no fortalecimento do Serviço Nacional de Saúde nesta zona do país”, acrescentou.
Por sua vez, a vice-reitora para a Educação e Qualidade da UTAD, Carla Amaral, revelou que a reunião permitiu esclarecer todas as questões levantadas pela Ordem dos Médicos.
“Ficou tudo esclarecido. A partir de agora, a Ordem está também connosco na organização das atividades, o que nos dá ainda mais confiança para o arranque deste projeto”, afirmou.
A responsável garantiu que os preparativos estão na reta final, encontrando-se em fase de conclusão as intervenções nas salas que irão acolher os estudantes, bem como a aquisição dos equipamentos destinados ao ensino por simulação clínica.
Também a presidente do Conselho de Administração da ULSTMAD, Sara Mota, assegurou que os trabalhos decorrem dentro dos prazos previstos. Segundo explicou, o centro de simulação deverá estar operacional em setembro e estão igualmente a ser finalizadas as equipas médicas que irão assegurar funções de docência e tutoria.
A responsável revelou ainda que cerca de 160 médicos da unidade de saúde já manifestaram disponibilidade para integrar o projeto académico.
“Nós acreditamos que o arranque deste curso é essencial. Trata-se de uma oportunidade para contrariar as dificuldades históricas de fixação de médicos na região e para criar uma nova realidade para Trás-os-Montes e Alto Douro”, concluiu.

Jornalista: Paulo Silva Reis com Lusa
Foto: DR

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