A fotografia tornou-se, por estes dias, uma ponte entre territórios europeus ligados por uma mesma cultura: a maçã, a agricultura e a produção de sidra. Na primeira edição do Concurso Internacional de Fotografia da CIDEREU, imagens provenientes de diferentes países deram corpo a uma identidade comum e Carrazeda de Ansiães também deixou a sua marca.
Entre 355 fotografias apresentadas a concurso, o carrazedense Lucas Mesquita conquistou o Prémio Local, com a fotografia intitulada “6”, colocando o território português no mapa de uma iniciativa de dimensão internacional.
A distinção ganha ainda maior expressão pelo contexto em que surge. O concurso reuniu olhares de diferentes pontos da Europa, procurando através da fotografia valorizar as paisagens, as tradições, o património agrícola e a ligação das comunidades à cultura da maçã e da sidra.
O primeiro prémio internacional atravessou fronteiras até à Eslovénia, com Danilo Lesjak a conquistar a distinção com a fotografia “Boj proti pozebi”. A imagem foi destacada pela forma como retrata as paisagens vivas e o património agrícola que aproximam comunidades europeias com tradições ligadas à produção de maçã e sidra.
O segundo prémio internacional ficou em Espanha, para José Ángel Amuchastegui Esnaola, autor de “Sagar gorri”, outra das imagens distinguidas pela capacidade de representar fotograficamente a riqueza do património europeu associado à maçã e à sidra.
E entre estes dois reconhecimentos internacionais surgiu a representação portuguesa, com Lucas Mesquita a conquistar o Prémio Local. O fotógrafo de Carrazeda de Ansiães alcançou ainda o quinto lugar na classificação geral dos prémios locais, num resultado que reforça a expressão do seu trabalho num concurso com participação alargada.
Mais do que uma competição fotográfica, a iniciativa da CIDEREU revelou diferentes formas de olhar para uma cultura agrícola que atravessa fronteiras e gerações. Através da objetiva dos participantes, campos, frutos, paisagens, pessoas e tradições transformaram-se em testemunhos visuais de uma identidade europeia partilhada.
Para Carrazeda de Ansiães, a distinção de Lucas Mesquita representa também uma oportunidade de projetar o território além-fronteiras, mostrando que os valores, as paisagens e o património agrícola transmontano podem ganhar dimensão internacional quando contados através de um olhar artístico.
Num concurso que reuniu 355 fotografias, há, por isso, uma história portuguesa que merece ser contada: a de um fotógrafo de Carrazeda de Ansiães que levou o nome do território para uma montra internacional dedicada à cultura da maçã e da sidra.
Jornalista: Paulo Silva Reis
Fotos: DR



















