A CDU de Bragança apelou esta quinta-feira à mobilização das populações, associações agrícolas, culturais, desportivas e cinegéticas do Nordeste Transmontano para que exijam “total esclarecimento e transparência” relativamente aos projetos de hibridização previstos para várias barragens da região.
Em comunicado, a Coligação Democrática Unitária (CDU), composta pelo PCP e pelo Partido Ecologista “Os Verdes”, manifestou “profunda preocupação” com os projetos promovidos pela empresa energética ENGIE, que preveem a instalação de parques eólicos e fotovoltaicos em territórios associados às barragens hidroelétricas de Picote, Bemposta e Baixo Sabor.
Segundo a coligação, os investimentos previstos abrangem zonas dos concelhos de Miranda do Douro, Mogadouro, Torre de Moncorvo, Carviçais, bem como áreas ligadas às centrais de Foz Tua, nos concelhos de Carrazeda de Ansiães e Alijó.
A CDU considera que estes projetos, apresentados no âmbito da transição energética e da descarbonização da economia, representam “uma cedência do Governo aos interesses das multinacionais energéticas”, alertando para potenciais impactos ambientais, paisagísticos e económicos no território transmontano.
No documento divulgado, a coligação sustenta que os parques eólicos e fotovoltaicos previstos poderão ocupar “largas faixas de território” e provocar “impactos cumulativos” incompatíveis com atividades consideradas estruturantes para a região, como a agricultura, a pecuária e a apicultura.
Além disso, alerta para possíveis consequências ao nível da descaracterização da paisagem e da perda de atratividade turística do Nordeste Transmontano, uma região reconhecida pelo seu património natural, agrícola e cultural.
Outro dos pontos centrais das críticas prende-se com a alegada falta de informação prestada às populações locais. A CDU acusa a empresa promotora de realizar sessões de esclarecimento “com informação incompleta”, impedindo uma discussão aprofundada sobre a localização exata e a dimensão dos projetos.
“A população está a ser mantida à margem de decisões que terão impacto direto no território e na qualidade de vida das comunidades”, refere a coligação.
A posição surge após a sessão pública promovida pela ENGIE no passado dia 7 de maio, em São Martinho de Angueira, no concelho de Miranda do Douro, onde foi apresentado o projeto de hibridização associado à central hidroelétrica de Picote e ao futuro parque eólico.
De acordo com os dados divulgados nessa sessão, o parque eólico poderá atingir uma capacidade instalada de cerca de 157,5 megawatts, abrangendo uma área de aproximadamente 105 hectares não vedados, destinados à instalação de aerogeradores, valas técnicas e acessos.
Paralelamente, estão também previstos projetos fotovoltaicos associados às centrais de Bemposta, Baixo Sabor e Foz Tua, com uma capacidade global estimada em cerca de 354 megawatts-pico (MWp).
A CDU defende ainda que os órgãos do poder local devem assumir um papel mais ativo na defesa dos interesses das populações e da economia regional, exigindo maior participação nos processos de decisão relacionados com os investimentos energéticos previstos para o território transmontano.
A Redação com Lusa
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