A CDU Bragança manifestou preocupação relativamente ao processo de instalação de câmaras de vigilância no concelho de Bragança, defendendo que a medida levanta questões relacionadas com a “segurança, a transparência e os direitos democráticos”.

Em comunicado, a CDU recorda que, há cerca de dois meses, foram anunciados os projetos “Noite Segura” e “Mobilidade Segura”, iniciativas que envolvem a Câmara Municipal de Bragança, PSP, GNR, Instituto Politécnico de Bragança e a Associação Comercial, Industrial e Serviços de Bragança.

Segundo a estrutura política, os grupos de trabalho criados através de despacho da presidente da Câmara Municipal, Isabel Ferreira, tinham como objetivo “assegurar uma maior segurança no concelho”. Contudo, a CDU considera que o caminho seguido não responde aos problemas reais das forças de segurança.

O comunicado surge na sequência de declarações do comandante distrital da PSP de Bragança, Rui Rocha e Silva, nas quais foram revelados novos detalhes sobre o processo de implementação do sistema de videovigilância.

A CDU reconhece a existência de dificuldades nas forças policiais, mas sublinha que “estas não podem, no entanto, ser utilizadas para justificar a imposição de sistemas de vigilância, como está em cima da mesa”.

A posição crítica da coligação assenta também naquilo que considera ser uma visão securitária excessiva. No documento, a CDU afirma que não acompanha “a lógica sobre a segurança que está subjacente a esta decisão”, acusando o processo de procurar “fomentar o medo e o receio” e de incentivar “a vigilância permanente”.

Outro dos pontos destacados prende-se com a forma como a medida foi desenvolvida. A CDU considera tratar-se de “um processo pouco democrático”, alegando que foi conduzido “longe da discussão e deliberação pelas populações”.

Como alternativa, a estrutura defende o reforço das condições de trabalho das forças de segurança, melhores condições salariais e mais investimento no policiamento de proximidade. O comunicado sustenta ainda que a política de segurança deve centrar-se “na prevenção do crime, combatendo as suas raízes”, apontando fatores como a insegurança económica e a pobreza.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

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