Recriação etnográfica reuniu comunidade e visitantes numa homenagem ao trabalho, à identidade rural e ao património cultural de Macedo de Cavaleiros, durante este fim de semana.
A freguesia de Morais, no concelho de Macedo de Cavaleiros, voltou a recuar no tempo com a realização de mais uma edição da Ceifa e Malha de Morais, iniciativa promovida pela Junta de Freguesia que reuniu dezenas de moradores e visitantes numa celebração das tradições agrícolas que marcaram gerações de transmontanos.
Ao longo de um dia repleto de simbolismo, foram recriadas as antigas tarefas da ceifa e da malha dos cereais, proporcionando uma autêntica viagem à ruralidade de outros tempos. O som das foices, os cantares tradicionais, o transporte do cereal para a eira e os gestos transmitidos de geração em geração deram vida a uma das mais genuínas manifestações do património etnográfico das Terras de Cavaleiros.
A iniciativa permitiu recordar o esforço e a dedicação de homens e mulheres que, durante décadas, fizeram da agricultura o sustento das famílias e um dos pilares da economia local, preservando saberes e costumes que continuam profundamente enraizados na identidade da freguesia.
O programa foi enriquecido com momentos de animação cultural protagonizados pelas Ceifeiras de Morais, pelo Grupo Cultural e Recreativo da Casa do Povo de Macedo de Cavaleiros e pelo Grupo Enxu Fole, que contribuíram para recriar o ambiente festivo associado às antigas jornadas agrícolas.
Um dos momentos mais aguardados voltou a ser a tradicional malha, símbolo do trabalho comunitário e da entreajuda que caracterizavam a vida nas aldeias transmontanas, seguida de um animado baile popular que prolongou o convívio pela noite dentro.
Mais do que uma recriação etnográfica, a Ceifa e Malha de Morais afirma-se como uma homenagem à resiliência, ao espírito de sacrifício e à cultura de um povo que encontrou na terra a sua forma de viver. Ao preservar estas tradições, a freguesia mantém viva a memória coletiva, promovendo a ligação entre gerações e contribuindo para a valorização da identidade rural transmontana.
Jornalista: Paulo Silva Reis
Fotos: DR




















