O X Encontro de Ensino de Geografia da Universidade do Porto reuniu professores, investigadores e estudantes entre 25 e 27 de setembro. A sustentabilidade, as transformações territoriais e o papel do conhecimento científico nas decisões sobre o território estiveram entre os temas em destaque.

Chaves recebeu, entre 25 e 27 de setembro, o X Encontro de Ensino de Geografia UP, uma iniciativa dedicada à reflexão sobre a evolução da Geografia enquanto área científica e pedagógica e à forma como o conhecimento geográfico contribui para compreender as mudanças que marcam os territórios e as comunidades.
Subordinado ao tema “(Re)Apresentações Geográficas: Permanências e Mudanças”, o encontro foi promovido no âmbito do Mestrado em Ensino de Geografia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP), reunindo professores, investigadores e estudantes para três dias de partilha de experiências, atualização científica e discussão de práticas pedagógicas.
O programa organizou-se em torno de duas dimensões complementares. O eixo “Permanências” centrou-se nos conteúdos, conceitos e metodologias fundamentais do ensino da Geografia, enquanto “Mudanças” abordou as novas dinâmicas territoriais, a transformação digital e os desafios sociais e ambientais da atualidade.

CONHECER O TERRITÓRIO PARA DECIDIR MELHOR

Na sessão de abertura, o presidente da Câmara Municipal de Chaves, Nuno Vaz, destacou a importância da Geografia na interpretação dos desafios que afetam os territórios e as populações, defendendo um maior envolvimento dos geógrafos nos processos de reflexão e de tomada de decisão.
O autarca sublinhou o contributo do conhecimento científico para fundamentar políticas e decisões mais estruturadas e sustentáveis, num contexto em que as alterações ambientais, a gestão dos recursos naturais e as transformações sociais exigem respostas cada vez mais informadas.
Entre as questões destacadas esteve a sustentabilidade ambiental e hídrica, considerada uma das áreas centrais dos desafios contemporâneos. A identidade geológica de Chaves e a importância dos seus recursos termais foram igualmente referidas como elementos relevantes para compreender as potencialidades do território e as oportunidades para o seu desenvolvimento.
Nuno Vaz manifestou ainda a expectativa de que o encontro ultrapassasse a dimensão académica e pedagógica, promovendo um diálogo mais próximo entre a investigação e os problemas concretos sentidos pelas comunidades.

CHAVES COMO ESPAÇO DE INVESTIGAÇÃO E APRENDIZAGEM

A escolha de Chaves para acolher o encontro permitiu aproximar os participantes da realidade territorial da região, através de atividades dedicadas à investigação e à prática do ensino da Geografia, visitas orientadas e uma viagem de estudo.
Estes momentos proporcionaram oportunidades para observar o território no terreno, relacionar conceitos científicos com situações concretas e refletir sobre a forma como os espaços geográficos se transformam ao longo do tempo.
A iniciativa reforçou, assim, a ligação entre formação académica, investigação e realidade local, destacando o valor da Geografia não apenas como disciplina escolar, mas também como instrumento de interpretação das dinâmicas territoriais e de apoio à construção de respostas para os desafios do futuro.
Ao acolher a décima edição do encontro, Chaves afirmou-se como espaço de reflexão e aprendizagem, num evento que colocou o conhecimento científico e a compreensão do território no centro do debate

Jornalista. Paulo Silva Reis
Foto: DR

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