A revista Aquae Flaviae dedicou a sua 72.ª edição ao General Ribeiro de Carvalho e ao Maestro Pinto Ribeiro, recuperando uma parceria artística que deu origem a dez libretos de operetas e marcou a vida cultural flaviense entre os séculos XIX e XX. A apresentação, na Biblioteca Municipal de Chaves, reuniu casa cheia e cerca de uma dezena de descendentes das duas personalidades.
A história cultural de Chaves ganhou um novo capítulo com a apresentação, ontem, do número 72 da revista Aquae Flaviae. Integrada nas comemorações dos 40 anos do Grupo Cultural Aquae Flaviae, a edição especial recupera a obra do General Ribeiro de Carvalho e do Maestro Pinto Ribeiro, duas figuras incontornáveis da história flaviense, cuja colaboração artística permaneceu durante décadas longe do conhecimento do grande público.
Intitulada «Operetas em Chaves», a publicação dá visibilidade a um património artístico que ajuda a compreender a vitalidade cultural de outras épocas e revela a dimensão de uma parceria que ultrapassou as fronteiras do concelho. A sessão decorreu na Biblioteca Municipal de Chaves, perante uma plateia que encheu o espaço e que contou com a presença de cerca de dez descendentes dos dois homenageados.
A apresentação contou com a participação do presidente da Câmara Municipal de Chaves, Nuno Vaz, e da presidente do Grupo Cultural Aquae Flaviae, Isabel Viçoso. Coube a Maria Isabel Barros Morais da Costa apresentar o trabalho de investigação, recolha e estudo que permitiu trazer novamente à luz esta herança artística.
O trabalho agora publicado permite conhecer uma parceria responsável pela criação de dez libretos de operetas já identificados, peças de teatro musicado que animaram a vida cultural flaviense entre o final do século XIX e meados do século XX.
A importância desta produção não se limitou a Chaves. As operetas chegaram a ser apresentadas em diversas localidades do país, entre as quais Torres Novas, Leiria, Castro Daire, Vila da Feira, Caldas da Rainha, Entroncamento, Viana do Castelo, Régua, Mirandela, Nisa, Abrantes, Porto e Lisboa.
A recuperação deste repertório permite, assim, redescobrir uma faceta menos conhecida da história cultural do concelho e reconhecer o talento de dois homens que, em áreas distintas, contribuíram para afirmar Chaves no panorama artístico nacional.
Mais do que reunir documentos e referências históricas, a edição procura devolver estas obras à memória coletiva, demonstrando como a investigação histórica pode resgatar criações que o tempo afastou do público, mas cujo valor artístico permanece por explorar.
Um dos momentos de maior significado da sessão foi o desafio lançado ao Teatro Experimental Flaviense para que considere a reposição em palco de algumas destas operetas.
A concretizar-se, a proposta poderá representar um passo decisivo na valorização deste património, permitindo que as obras deixem de existir apenas nos registos históricos e regressem ao contacto direto com a comunidade. A iniciativa abriria também a possibilidade de aproximar novas gerações de uma tradição artística que fez parte da vida cultural flaviense durante várias décadas.
Na sua intervenção, Nuno Vaz destacou a importância da publicação para a preservação da história e da identidade locais, considerando que a recuperação do legado do General Ribeiro de Carvalho e do Maestro Pinto Ribeiro constitui uma forma de reconhecer duas personalidades que honraram Chaves nos domínios militar e cultural.
O presidente da Câmara sublinhou igualmente que preservar esta memória significa valorizar o talento e o mérito de quem marcou gerações, transmitindo às gerações futuras o conhecimento da história do concelho e o orgulho nas suas raízes.
O autarca destacou ainda o trabalho desenvolvido pelo Grupo Cultural Aquae Flaviae ao longo de quatro décadas na investigação, preservação e divulgação da história e da cultura flavienses, percurso que se traduz agora em 72 edições da revista.
A homenagem ganhou uma dimensão particularmente emotiva com a presença de familiares dos dois homenageados. Luís Barbosa, bisneto do Maestro Pinto Ribeiro, e António Ribeiro Carvalho, sobrinho-bisneto do General Ribeiro de Carvalho, partilharam com os presentes breves apontamentos biográficos, histórias pessoais e episódios singulares que ajudaram a aproximar as figuras históricas da sua dimensão humana.
O encontro permitiu, assim, cruzar a investigação documental com a memória familiar, acrescentando novas perspetivas sobre percursos que continuam a despertar interesse e a fazer parte da identidade de Chaves.
Parte do espólio doado pelo Maestro Ferreira Lobo esteve também exposta, proporcionando ao público a oportunidade de observar documentos e outros elementos associados a esta herança artística.
Esta edição recupera ainda a primeira composição dos órgãos sociais do Grupo Cultural Aquae Flaviae, originalmente divulgada no número inaugural da revista, publicado em 1989.
Esse primeiro número surgiu no contexto das comemorações do quinto centenário da impressão, em Chaves, do Sacramental, considerado o primeiro livro impresso em Portugal em língua portuguesa.
Ao recuperar essa referência fundadora, a 72.ª edição estabelece uma ligação entre diferentes momentos da história cultural flaviense e o próprio percurso da associação que, ao longo de 40 anos, tem contribuído para documentar e divulgar a memória do concelho.
Jornalista: Paulo Silva Reis
Fotos: DR






















