O presidente da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo estimou hoje que os prejuízos provocados pelas chuvas intensas de fevereiro ultrapassem os 2,5 milhões de euros no concelho, afetando infraestruturas municipais, equipamentos públicos e o setor agrícola, com especial incidência na vinha.

O autarca José Meneses adiantou que, só no domínio municipal, os danos rondam 1,2 milhões de euros. O valor restante corresponde a prejuízos registados em propriedades privadas, nomeadamente nas áreas da horticultura, fruticultura e viticultura.

Segundo o presidente da câmara, foram já contabilizadas cerca de 40 ocorrências no concelho, um dos mais afetados pelo mau tempo no território do Douro Superior e Baixo Sabor.

O autarca explicou que, com a descida do caudal dos rios Rio Sabor e Rio Douro, têm vindo a ser identificados novos danos em taludes, estradas municipais, muros de suporte, caminhos agrícolas e infraestruturas públicas.

“Dia após dia, vamos registando novos desabamentos e derrocadas de terra e pedras que inicialmente não foram contabilizados. Agora já conseguimos ter um relatório mais apurado dos prejuízos”, afirmou José Meneses, referindo ainda quedas de árvores, danos em mobiliário urbano, sistemas de rega e atrasos em obras públicas.

Entre as zonas mais afetadas estão os territórios do Baixo Sabor, Vale da Vilariça e a sub-região vinícola do Douro Superior, integrada na Região Demarcada do Douro, onde os prejuízos globais poderão atingir os 2,5 milhões de euros.

No que respeita às obras de alargamento da ponte que liga o IP2, por estrada municipal, à aldeia da Foz do Sabor e a outras povoações vizinhas, os trabalhos já foram retomados, mas acumulam um atraso de cerca de três meses. Os danos nesta intervenção ascendem a 200 mil euros.

O impacto financeiro das intempéries surge num momento em que o orçamento municipal para 2026 previa um total de 29 milhões de euros, sem contemplar este tipo de contingência. “Há situações cuja resolução se poderá prolongar no tempo, mas há vias de comunicação fundamentais para o concelho e para a região onde teremos de intervir rapidamente para evitar constrangimentos à circulação”, sublinhou o autarca.

Questionado sobre uma eventual revisão orçamental, José Meneses admitiu que será necessário definir prioridades e ajustar despesas. “No que respeita às contas municipais e ao orçamento, vamos ter de apertar o cinto”, afirmou.

Os agricultores afetados estão a comunicar os seus prejuízos diretamente às entidades competentes, nomeadamente à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N).

O concelho de Torre de Moncorvo surge, assim, entre os territórios mais atingidos pelo recente ciclo de mau tempo no Douro Superior, enfrentando agora o desafio da recuperação num contexto de forte pressão financeira e estrutural.

A Redação com Lusa

Foto: DR

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