A freguesia de Mateus, às portas de Vila Real, prepara-se para um dos momentos mais marcantes da sua vida comunitária e cultural: a construção de um tapete de flores com cerca de um quilómetro de extensão, que servirá de cenário à procissão em honra de Nossa Senhora dos Prazeres, integrada nas celebrações da Pascoela.
A iniciativa, que resulta de uma forte mobilização popular, envolve moradores, voluntários e a Fundação da Casa de Mateus, numa demonstração de identidade, tradição e coesão social que se renova ano após ano.
O percurso florido acompanha a procissão que parte da capela do Palácio de Mateus, classificado como monumento nacional, transformando o espaço numa autêntica obra de arte efémera, construída com flores, folhas, ramos e elementos naturais recolhidos nos dias que antecedem o evento.
“É um trabalho bonito e muito especial, porque junta as pessoas”, explica Ana Maria, moradora local, destacando o ambiente de entreajuda e convívio que marca os preparativos. Entre recolhas na natureza e longas horas de trabalho coletivo, a comunidade constrói não apenas um tapete, mas uma experiência partilhada que tem vindo a crescer em participação e visibilidade.
Com raízes que remontam à construção da capela, há quase três séculos, a tradição foi retomada em 2010 e ganhou novo impulso nos últimos anos, nomeadamente com a sua integração no interior da propriedade, aproximando ainda mais a celebração da Casa de Mateus e da população.
A cerimónia de domingo contará com a presença do bispo de Vila Real, António Augusto Azevedo, e integra um programa mais amplo que inclui música erudita, bandas locais e outras manifestações culturais.
A construção do tapete de flores insere-se na programação cultural de 2026 da Fundação da Casa de Mateus, que prevê cerca de 60 iniciativas ao longo do ano. Entre os destaques está o regresso da tradicional festa das vindimas, agendada para outubro, que pretende recuperar o espírito festivo das quintas do Douro e assinalar os 25 anos da classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial da UNESCO.
Com concertos, exposições, teatro e projetos educativos, a programação reforça o papel da Casa de Mateus como polo cultural de referência, apoiado pela Direção-Geral das Artes e pela Câmara Municipal de Vila Real.
Mais do que um evento religioso, o tapete de flores de Mateus afirma-se como símbolo vivo de tradição e comunidade, onde a beleza efémera das flores espelha a força duradoura de uma identidade coletiva.
A Redação com Lusa
Foto: DR

















