O dia 3 de fevereiro volta a cumprir-se em Vila Real como manda a tradição. É dia de São Brás e, como acontece há séculos, é também o dia em que os rapazes oferecem a Gancha às raparigas, fechando um ciclo iniciado em dezembro, na festa de Santa Luzia.
A tradição liga duas datas e dois doces muito próprios da região. No dia 13 de dezembro, as mulheres oferecem o Pito, um pastel recheado com doce de abóbora. Em fevereiro, chega a retribuição: a Gancha de São Brás, um doce de açúcar caramelizado, moldado à mão em forma de báculo, e vendido nas tradicionais barraquinhas junto à Capela de São Brás, na Vila Velha, assim como nas pastelarias tradicionais da cidade de Vila Real.
A origem da Gancha perde-se no tempo. Há quem defenda que terá surgido como um objeto simbólico associado à proteção da garganta, área a que São Brás está tradicionalmente ligado. Outros veem nela a representação do báculo episcopal do santo. Seja qual for a explicação, o significado mantém-se: a Gancha é um gesto de compromisso e de resposta ao Pito recebido em dezembro.
Todos os anos, milhares de vila-realenses sobem até à capela, classificada como Monumento Nacional desde 1910, para manter viva esta romaria popular. Para muitos, não se trata apenas de comprar um doce, mas de repetir um ritual que atravessa gerações e continua a marcar o calendário afetivo da cidade.
Enquanto noutros lugares o dia de São Brás passa despercebido, em Vila Real é dia certo de “dar a Gancha”. Uma tradição simples, feita de açúcar, memória e reciprocidade, que resiste ao tempo e continua a distinguir a cultura local.
Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR



















