O Dia dos Namorados, celebrado a 14 de fevereiro, continua a ser uma data marcada pela troca de presentes e demonstração de afeto. Apesar de novas formas de celebrar, as floristas confirmam que a tradição de oferecer flores, especialmente rosas vermelhas, permanece firme, embora com adaptações ao orçamento e ao estilo de consumo atual.

Adelaide Afonso, florista com anos de experiência, revela que a afluência “normalmente é boa” nesta data. “Há muita gente que ainda encomenda ramos e tem essa tradição, ainda vem muita gente. Os homens nestes dias ainda são românticos e apaixonados”, explica. Segundo Adelaide, os homens continuam a ser os principais compradores, embora “já haja mulheres a vir buscar também, mas é muito raro. Às vezes vem é o casal ao final do dia.”

A preferência continua a recair sobre as rosas vermelhas, consideradas símbolo do amor e da paixão. “Tudo que tenha rosas vermelhas é sempre o mais preferido”, acrescenta. Para garantir disponibilidade, as floristas baseiam os pedidos na experiência de anos anteriores: “Temos que encomendar com antecedência. De ano para ano, nós vimos mais ou menos o que gastamos e vamos encomendando mais ou menos tudo o que gastamos no ano anterior ou aumentando um bocadinho se no ano anterior foi menos” explica Adelaide.

No entanto, a inflação e o aumento do custo de vida mudaram o perfil do consumidor. “São vendidos muito ramos, mas não são ramos grandes, por exemplo ramos com 10, 15, 20 rosas são muito poucos”, de acordo com a florista, o que se vende mais são “ramos pequeninos, uma, duas, três, cinco rosas é o que se vende mais. Ou porque não querem gastar muito ou não podem”, explica. Muitas vezes, “estes pequenos ramos acompanham outro presente”, servindo como complemento simbólico.

A tradição também várias gerações. “Os mais novos também compram, só que os mais novos, principalmente que ainda estão com os pais, agora vê-se muito vir as mães… comprar para os filhos. Ou virem com os filhos comprarem para as namoradas dos filhos”, acrescenta.

Apesar das mudanças, datas especiais continuam a ser momentos importantes para o setor. Além do Dia dos Namorados, o Dia da Mãe é apontado como uma das épocas mais movimentadas, “talvez até para melhor que o dia dos namorados”, afirma Adelaide.

Historicamente, a tradição do Dia dos Namorados começou através cartas e pequenas lembranças que eram trocadas entre amantes. Hoje, no mundo inteiro, a data é marcada por flores, chocolates e jantares românticos. Em Portugal, as floristas registam que, apesar da concorrência de outros presentes, os ramos de rosas vermelhas mantêm-se como o presente mais popular.

Para Adelaide, a tradição das flores tende a manter-se: “A flor, a rosa, as flores, no caso, vão estar sempre associadas ao São Valentim. Acho que é uma marca que vai ficar para sempre. Pelo menos enquanto eu for florista espero que sim.”

Com a combinação de tradição e adaptações aos tempos modernos, o Dia dos Namorados mostra-se como uma celebração que continua a unir pessoas através de pequenos gestos simbólicos, provando que, mesmo em tempos de crise, o romantismo encontra sempre o seu lugar.

Jornalista: Vitória Botelho

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