Celebram-se ontem os 481 anos da criação da Diocese de Miranda do Douro, uma das mais relevantes instituições religiosas da história de Trás-os-Montes, fundada a 22 de maio de 1545 pela bula Pro excellenti Apostolicae Sedis, promulgada pelo Papa Paulo III, a pedido do rei D. João III.

A criação da diocese marcou um momento decisivo para a organização e afirmação religiosa do nordeste transmontano. O novo território eclesiástico integrou os arciprestados de Miranda do Douro, Bragança, Lampaças, Mirandela e Monforte, abrangendo grande parte da então comarca de Trás-os-Montes, até então sob jurisdição da Arquidiocese de Braga.

Poucos meses depois, a 10 de julho de 1545, D. João III elevou Miranda do Douro à categoria de cidade, reforçando o estatuto da localidade escolhida para sede episcopal. Contudo, a decisão não reuniu consenso. Situada junto à fronteira e caracterizada por uma reduzida densidade populacional e escassez de recursos, Miranda do Douro enfrentou, desde cedo, desafios estruturais que condicionaram o crescimento da diocese.

Ao longo dos séculos seguintes, a evolução económica e demográfica da região alterou o equilíbrio territorial. No século XVIII, Bragança assumia-se já como o principal centro urbano e administrativo de Trás-os-Montes, enquanto Miranda do Douro atravessava um período de declínio.

Neste contexto, a 5 de março de 1770, por iniciativa do rei D. José I, foi criada a Diocese de Bragança, incorporando uma parte significativa dos territórios até então pertencentes à Diocese de Miranda. A coexistência de duas estruturas diocesanas revelou-se, porém, insustentável.

A reorganização definitiva chegou a 27 de setembro de 1780, com a união das dioceses de Miranda e Bragança, dando origem à Diocese de Bragança e Miranda, apesar da oposição manifestada por setores da população mirandesa. A designação atual – Diocese de Bragança-Miranda – apenas viria a ser oficialmente adotada a 27 de maio de 1996.

Mais de quatro séculos após a sua fundação, a história da Diocese de Miranda do Douro continua a representar um marco identitário, religioso e patrimonial para o nordeste transmontano, mantendo viva uma herança que atravessa gerações e permanece profundamente ligada à memória coletiva da região.

Jornalista: Maria Inês Pereira

Foto: DR

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