Em pleno Carnaval, uma tradição saborosa e familiar mantém-se viva em Portugal: o Domingo Gordo, celebrado com o clássico cozido à portuguesa. Em várias casas, este é um costume cultivado entre gerações, onde a data já tem um sabor definido passe o tempo que passar. Virgínia Gomes dos Santos, cresceu em Mateus, uma freguesia de Vila Real, e recorda hoje, aos 78 anos, como este dia era vivido em família e como o cozido à portuguesa se tornou uma “tradição muito bonita” na comunidade.

“Domingo Gordo é dia de cozido. Sempre fiz, já no tempo da minha mãe, fazia sempre o cozido, é a tradição. E no dia de terça-feira (de carnaval), com as carnes que havia, que havia muitas sobras, fazia-se uma feijoada”, recorda Virgínia, lembrando que o Domingo Gordo marca o início do Carnaval e antecede a Quaresma, período em que não se pode comer carne.

Virgínia explica a ligação da tradição à religião: “O primeiro dia de Carnaval é o Domingo Gordo, e depois quarta-feira, muita atenção que não se podia comer carne, porque a quarta-feira é de cinzas”, acrescenta ainda que “Depois todas as sextas-feiras, quem for católico, faz o jejum, não come carne.” Mas, para Virgínia, esta data é sobretudo um momento de união familiar, “Foi sempre o costume, juntar a família.”

O cozido à portuguesa, protagonista desta celebração, combina uma variedade de carnes e legumes. “O cozido leva todas as carnes que se puder por, leva um bocadinho também de carne de vitela, e leva as carnes fumadas, presunto, salpicão, linguiça. Leva um bocadinho da batata, leva a couve lombarda, cenoura. E há quem lhe dê deite nabo também, quando há.” Virgínia recorda ainda a tradição de matar o porco em casa nas aldeias, prática que se mantém em muitas regiões, enquanto nas cidades as carnes são geralmente compradas. “Lembra-me, quando o meu pai era vivo, matava-se. Depois a gente deixou-se disso, nestes dias a gente compra. Fazem nas aldeias, isso nunca acabou. Matam sempre o porco e lá para cima, para essas aldeias mais montanhosas e assim, faz-se” relembra.

Virgínia recorda que antigamente “as pessoas, quando era no fim da matança, quando se saía da missa às sete, em Mateus, faziam os leilões para comer aquelas carnes caseirinhas em casa”, mantendo viva a tradição de partilhar e celebrar a época do Carnaval. Muitas famílias, com terrenos, continuam a cultivar os legumes em casa e compram apenas o que falta, sendo “uma forma de aproveitar” e mantendo assim a tradição de usar produtos frescos e da própria terra, integrando o labor do dia a dia na celebração do Domingo Gordo.

Apesar das mudanças e da modernidade, Virgínia acredita que a tradição ainda tem espaço para resistir: “Agora é tudo diferente, mas bem, eu falo dos meu filhos. Por exemplo, eles ainda lembram e fazem. Agora os netos, não sei. Mas era bonito lembrar sempre.” Contudo, para a septuagenária, o cozido à portuguesa transcende a época do Carnaval, sendo um prato expressivo da cultura gastronómica nacional. “Eu acho que o cozido à portuguesa nem é preciso Carnaval para a gente o fazer. É tão português, o nome diz tudo.”

E assim, entre sabores de família e memórias de infância, o Domingo Gordo continua a ser uma data marcada pelo sabor, pelo convívio e pelo orgulho das raízes portuguesas.

Jornalista: Vitória Botelho

Foto: DR

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