A cidade de Vila Real vai assistir ao encerramento de mais uma das lojas mais emblemáticas do comércio tradicional, localizada na histórica Rua Direita, conhecida pela sua forte identidade comercial ao longo de várias gerações. O encerramento da “Casa das Lãs”, associada ao nome Tricots Brancal, está previsto para o final do mês de maio, assinalando o término de uma presença histórica no centro urbano.
A “Casa das Lãs” encerra portas, deixando para trás um legado profundamente ligado à vida económica e social da cidade, marcado por décadas de proximidade, atendimento personalizado e forte ligação à comunidade local. Ao longo dos anos, o espaço tornou-se uma referência em Vila Real, sendo recordado por muitos clientes pelas suas paredes coloridas pela diversidade de novelos de lã, que transformavam a loja num ambiente singular e facilmente reconhecível. Para várias gerações, este estabelecimento foi mais do que um ponto de venda, constituindo-se como um espaço de memórias associadas a trabalhos manuais que atravessaram famílias e épocas.
O encerramento representa, assim, mais um sinal da transformação do comércio tradicional nas ruas mais antigas de Vila Real, refletindo a crescente dificuldade de sobrevivência destes espaços face às mudanças dos hábitos de consumo e à evolução do comércio moderno.
A Rua Direita, outrora uma das principais artérias comerciais da cidade e motivo de orgulho da chamada “princesa do Corgo”, vai perdendo progressivamente parte da sua identidade comercial, num processo que tem afetado diversos estabelecimentos históricos.
O encerramento marca também o fim de uma longa ligação laboral de cerca de 43 anos de um funcionário que já fazia parte da casa, Luís Manuel Alves Monteiro, que no contexto jurídico-laboral, uma vez que a empresa eliminou ou vai pôr fim ao seu posto de trabalho, vê cessar a sua atividade profissional. Contudo, ambas as partes acordaram o fim dessa relação, sem necessidade de recorrer a um processo de despedimento litigioso.
Este desfecho simboliza, para muitos, a crescente fragilização do comércio tradicional e a perda gradual de estabelecimentos que marcaram a identidade urbana e social de Vila Real, deixando um vazio nas memórias e na dinâmica das ruas históricas da cidade.
Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR






















